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quarta-feira, 28 de março de 2012

ÚLTIMAS PALAVRAS NA FICÇÃO

NA FICÇÃO DE SHAKESPEARE


Hamlet
(morrendo envenenado)


Lawrence Olivier, como Hamlet

- O resto é silêncio.

("The rest is silence.")


Otelo
(suicidando-se)


Otelo e Desdêmona

- Beijei-te antes de te matar; não tenho saída, senão matar-me,
a mim também, para morrer depois de um beijo.


(" I kiss'd thee ere I kill'd thee; no way but this, killing myself to die upon a kiss.")


Julieta
(suicidando-se)

Leontina Vaduva e Roberto Alagna (Julieta e Romeu)


- Então serei breve. Ah, venturoso punhal !

("Then I will be brief. O happy dagger!")


Ricardo III
(antes de ser morto na Batalha de Bosworth Field)


Ricardo III (Al Pacino)

- Um cavalo! Um cavalo! Meu reino por um cavalo!

("A horse! A horse! My kingdom for a horse!")

- Já vali um reino...


César
(ao ser assassinado)


- Até tu, Brutus!

("Et tu, Brute!")


Rei Lear
(morrendo, em delírio, com a filha Cordélia, morta, nos braços)


- Como pode um cão, um cavalo, um rato terem vida, e você sem respirar?
Olhai-a, olhai, seus lábios. Olhai aqui, olhai aqui!


(" Why should a dog, a horse, a rate have life, and thou no breath at all!
Lok on her, look, her lips. Look there, look there!")



Ricardo II
(ao ser assassinado)



- Sobe, sobe, ó minha alma. Teu lugar é para o alto,
enquanto minha carne bruta afunda aqui em baixo, para a morte.


("Mount, mount, my soul. Thy seat is up on high,
whilst my gross flesh sinks downward here to die.")



NA FICÇÃO BRASILEIRA


Corisco
(ao tombar, atingido mortalmente)


- Maiores são os direitos do povo!

(em "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de Glauber Rocha)


Quincas Berro D´Água
(caindo no mar)

Paulo José, como Quincas Berro D'Água

- O impossível não há; cada um cuide do seu enterro, que eu cuidarei do meu.

(em "Velhos Marinheiros", de Jorge Amado)


Brás Cubas

Reginaldo Faria, como Brás Cubas

- Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.

(em " Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis)


Rubião


- Ao vencedor, as batatas!

(em "Quincas Borba", de Machado de Assis)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

LEI DE PARKINSON

Trabalho vegetativo


Em 1957 o professor Cyril Northcote Parkinson publicou na Inglaterra “
A Lei de Parkinson”, um livro, irônico e divertido, que introduziu, no terreno da Administração Empresarial, o que se convencionou chamar de “Escola do Absurdo”.
Parkinson manifesta no livro o entendimento de que o ocioso tem de ocupar-se, e muito, para preencher seu tempo disponível.
Seu exemplo é o de uma vovó que passa o dia cuidando de fazer um bilhete para alguém que mora numa cidade vizinha. Uma hora será gasta buscando os óculos; outra, procurando papel e caneta; duas horas, fazendo a redação do bilhete; vinte minutos, tentando encontrar o endereço; uma hora e meia, decidindo como se deslocar até o correio; e por aí vai. No final do dia, a boa velhinha estará exausta e aborrecida com os procedimentos que a tarefa lhe exigiu.

- Alguém de fato atarefado não gastaria nesse bilhete mais do que cinco minutos.


Nas empresas tudo se passa de maneira semelhante, valendo então a Lei de Parkinson, que tem um enunciado curioso, mas simples e direto:

“O trabalho aumenta para preencher o tempo disponível.”


É na verdade uma lei de crescimento vegetativo do trabalho, pois há uma tendência natural de aumentar o tempo disponível e, pois, o trabalho para preenchê-lo. Nas grandes empresas, um fator exacerba a aplicação da lei: o número de empregados de uma empresa ou organização tende a aumentar em progressão geométrica, independentemente dos níveis correntes de produção. Em consequência, sendo maior o tempo disponível agregadamente, os diversos chefes são obrigados a criar trabalho, uns para os outros.

Tudo começa quando o candidato a chefe quer tirar férias ou ter a faculdade de ausentar-se do local de trabalho, para ir ao médico, frequentar algum curso ou comparecer a palestras e reuniões de trabalho, sem ser impedido pelo fato de trabalhar sozinho. Ele almeja ter pelo menos dois subordinados, pois ficará com a vantagem de ser o único a entender a totalidade do serviço assim repartido, sem contar que o subordinado único seria um candidato potencial ao seu lugar de chefe. Ou seja, pensa em subordinados, não em rivais.
Admitidos os dois subalternos, com o passar do tempo, e pelos mesmos motivos, cada um destes almejará a contratação de mais dois auxiliares, de maneira a ter-se a possibilidade de, ao fim e ao cabo, estarem sete pessoas a executar uma tarefa antes confiada a apenas uma.


O número de pessoas de uma organização tende, por esse mecanismo, a elevar-se geometricamente, quer a produção aumente, diminua ou permaneça constante, seja na administração pública, seja na administração privada.
A consequência é mais tempo disponível e, pois, mais trabalho a ser criado para preenchê-lo. Caberá aos chefes inventarem trabalho uns para os outros, o que explica os despachos, citações, emendas, acréscimos, lembretes e observações, e as sucessivas idas e vindas dos processos que fundamentam as decisões. Além das reuniões inumeráveis.

- Isso é despiciendo...

- Tudo com a finalidade de preencher tempo disponível.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A FLECHA QUE VOA, MAS NÃO VOA

PAUL VALERY E ZENÃO DE ELEIA



O paradoxo da flecha voadora foi usado por
Zenão de Eleia (495 a.C.-430 a.C.) para contestar nosso entendimento sobre pluralidade e movimento.
Argumentava Zenão que uma flecha disparada fica imóvel em cada instante, pois, do contrário, ocuparia várias posições num só instante, o que é impossível. Se o tempo é feito de uma pluralidade de instantes, segue-se que a seta permanecerá sempre imóvel, contrariamente ao que se observa. Ou, dizendo de outra maneira, se o espaço e o tempo são discretos, então uma flecha não pode se mover através do ar, pois a cada instante de tempo ela está em um ponto definido e, portanto, em repouso naquele instante. No instante seguinte ela também estará em repouso e assim sucessivamente, ou seja, em repouso para sempre.

Na década de 1920, o filósofo e matemático inglês Bertrand Russell (1872-1970) considerou os paradoxos de Zenão como extremamente sutis e profundos.

Paul Valery

Paul Valery (1871-1945), um poeta que tinha interesse em música, matemática e filosofia, também se encantou com os jogos intelectuais de Zenão. No seu celebrado poema “Le cimetière marin”, Valery invoca o paradoxo da flecha em admiráveis versos decassílabos:

Zénon! Cruel Zénon! Zénon d'Êlée!
M'as-tu percé de cette flèche ailée

Qui vibre, vole, et qui ne vole pas!

Le son m'emporte et la flèche me tue!


Numa tradução livre:

Zenão! Cruel Zenão! Zenão de Eleia!

Tu me feriste com tua flecha alada,

Que vibra, voa, e que não voa nada!

O som me enleva, e a flecha me mata!

Pluralidade e mudança

- Seu paradoxo não tem correspondência na realidade, disse um vizinho a Zenão. Todos sabemos que a flecha disparada sempre sai de um ponto e alcança outro, ou seja, há algo errado no seu raciocínio.

- Claro, retrucou Zenão. Mas não basta apontar o absurdo, temos de explicá-lo. E eu explico:
a pluralidade não existe, e a mudança é impossível.

sábado, 14 de janeiro de 2012

ÚLTIMAS PALAVRAS (NA VIDA REAL)

NA HORA DA DESPEDIDA

Mozart (5 de dezembro de 1791)



- Deixem-me ouvir, ainda desta vez, esses sons que sempre foram minha consolação e alegria.


Danton (guilhotinado em 5 de abril de 1794)



- Exibam minha cabeça para o povo, pois ela merece ser vista.
(Dirigindo-se aos carrascos, diante da guilhotina)



Bocage (21 de dezembro de 1805)



- Gente ímpia, rasgai os meus versos e crede na eternidade.



Beethoven (26 de março de 1827)



- É tarde!


Goethe (22 de março de 1832)



- Mais luz!

John Maynard Keynes (21 de abril de 1946)


Keynes

- Lamento não ter bebido mais champanhe.

Mahatma Gandhi (assassinado em 30 de janeiro de 1948)



- Ó Deus!



Churchill (24 de janeiro de 1965)




- Como fui tolo!


Che Guevara (8 de outubro de 1967)


Primeira versão
(segundo o general Alfredo Ovando Candia, chefe das Forças Armadas da Bolivia
)

- Não se preocupe, capitão. Eu falhei.

Ovando

Segunda versão

(entrevista
à BBC do agente da CIA Félix Rodriguez, que assistiu à execução)

- Então você veio, filho da puta. Quero que saiba que vai matar um homem.



Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), em 29 de setembro de 1968


Sérgio Porto


- Tunica, eu tô apagando!

(para a empregada, ao sofrer seu derradeiro infarto,
)


Pablo Picasso (8 de abril de 1973)


Pablo Picasso (auto-retrato)

- Bebam em minha homenagem!


John Lennon (8 de de dezembro de 1980)



- Sim, sou eu.
(Respondendo à pergunta do guarda que o socorreu: " Você é o John Lennon?")

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

OBRAS DO ACASO

SERENDIPIDADE

Horace Walpole

A palavra inglesa “serendipity” foi criada em 1754 pelo escritor e político inglês Horace Walpole para designar descobertas científicas felizes, mas acidentais. A palavra vem de Serendip, nome antigo do Ceilão. De acordo com um conto oriental, três príncipes de Serendip, nos seus passeios pela ilha, fizeram importantes e inesperadas descobertas, das quais, graças à sua sagacidade, sempre tiravam proveito.

Exemplos de serendipidade:

Fleming

(1) O escocês Alexander Fleming fazia uma cultura de bactérias patogênicas, quando sobre esta caiu acidentalmente uma partícula de fungo “Penicillium notatum”, provocando a morte das bactérias. Estava descoberta a penicilina (1928).

(2) O engenheiro suíço George de Mestral viu sementes espinhosas em sua calça e teve a idéia de inventar o velcro (1948).

Arno Penzias e Robert Wilson

(3) Os pesquisadores norte-americanos Arno Penzias e Robert Wilson, trabalhando a serviço dos Laboratórios Bell, ao calibrarem a antena gigantesca de um radiotelescópio destinado a ampliar os sinais a serem recebidos da estrela Cassiopeia A, perceberam um estranho ruído, vindo de todas as direções do céu e sempre com a mesma intensidade. Um ruído sem nenhuma causa. Em vão procuraram defeitos em todos os componentes do radiotelescópio e de sua antena, chegando mesmo a se preocupar com as fezes (“material dielétrico branco”) depositadas na antena por um casal de pombos que nela se alojara. Na sequência desses eventos, e com o auxílio dos físicos teóricos da Universidade de Princeton, ficou provado que Penzias e Wilson haviam detectado o ruído do Big Bang, ou seja, a explosão primordial que deu origem ao Universo. Esse ruído, que está atualmente sob a forma de ondas de rádio, no espectro conhecido como microondas, acompanha o Universo eternidade adentro e tem o nome de “radiação cósmica de fundo em microondas”(1964).

Arthur Fry

(4) O cientista e inventor norte-americano Arthur Fry tentava fabricar uma supercola e obteve, ao contrário, uma cola muito fraca, que só serviu para marcar as páginas do seu livro de hinos. Assim nasceram os adesivos do tipo post-it (1974).

(5) O Viagra, desenvolvido nos Estados Unidos para o tratamento de problemas cardíacos, apresentou o inesperado efeito colateral de provocar ereções penianas, o que levou o grupo Pfizer a patenteá-lo para uso na disfunção erétil (1996).

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS

TANSTAAFL

Há no folclore norte-americano a história de que, estando um sábio a morrer, um grupo de amigos pediu-lhe, como último legado, um aforismo que fosse definitivo e não comportasse nenhuma exceção. O moribundo, que era solícito e generoso, pronunciou então suas palavras finais:

- Oh, there ain't no such thing as a free lunch.

- Oh, there ain't no such thing as a free lunch.

Numa tradução não literal, essa frase significa algo como “amigos, não existe esse tal de almoço grátis” ou o nosso popular “se tem alguém comendo, tem alguém pagando”.

O aforismo foi assumido pelos economistas e se tornou popular nos Estados Unidos, especialmente depois de adotado por Milton Friedman, professor da Universidade de Chicago e líder do pensamento econômico liberal.

A frase se aplica extensivamente na economia e serve de alerta para os que acreditam em algum milagroso suprimento “natural” de benesses. É especialmente enfatizado que, sempre que alguém consegue algum benefício do governo, legítimo ou não, os contribuintes é que pagam por ele. Pois, afinal, não existe almoço grátis.
Deleitam-se muitas pessoas em buscar exceções à aplicação do aforismo, e alguns acham que está nesse caso o exemplo da mãe que amamenta o filho.


- Ninguém está pagando nada à mãe, dizem esses.

- Como não?, indagam os que não concordam com a exceção. Pois há custos envolvidos, para fazer a capacidade de amamentação da mãe, e alguém tem de pagar por eles.

O acrônimo TANSTAAFL, formado pelas iniciais de “There Ain't No Such Thing As A Free Lunch”, tem sido usado em lugar da própria frase, sobretudo depois que se tornou nome de um boteco frequentado por estudantes, em Chicago.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

NÃO SERVIMOS ALMOÇOS GRÁTIS

TANSTAAFL

Se tem alguém comendo,...

Há no folclore norte-americano a história de que, estando um sábio a morrer, um grupo de amigos pediu-lhe, como último legado, um aforismo que fosse definitivo e não comportasse nenhuma exceção. O moribundo, que era solícito e generoso, pronunciou então suas palavras finais:

- Oh, there ain't no such thing as a free lunch.

Numa tradução não literal, essa frase significa algo como “amigos, não existe esse tal de almoço grátis” ou o nosso popular “se tem alguém comendo, tem alguém pagando”.

O aforismo foi assumido pelos economistas e tornou-se popular nos Estados Unidos, especialmente depois de adotado por Milton Friedman, professor da Universidade de Chicago e líder do pensamento econômico liberal.
A frase se aplica a todas as situações da economia e serve de alerta para os que acreditam em algum milagroso suprimento “natural” de benesses. É especialmente enfatizado que, sempre que alguém consegue algum benefício do governo, legítimo ou não, os contribuintes é que pagam por ele. Pois, afinal, não existe almoço grátis.

... tem alguém pagando!

Deleitam-se muitas pessoas em buscar exceções à aplicação do aforismo, e alguns acham que está nesse caso o exemplo da mãe que amamenta o filho.

- Ninguém está pagando nada à mãe, dizem esses.

- Como não?, indagam os que não concordam. Pois há custos envolvidos, para fazer a capacidade de amamentação da mãe, e alguém tem de pagar por eles.

O acrônimo TANSTAAFL, formado pelas iniciais de “There Ain't No Such Thing As A Free Lunch”, tem sido usado em lugar da própria frase, sobretudo depois que se tornou nome de um boteco frequentado por estudantes, em Chicago.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

SERENDIPIDADE

Serendipidade

Serendip era um dos nomes da Taprobana, a ilha mencionada por Camões, que também já foi chamada de Ceilão e hoje é conhecida como Sri Lanka. De acordo com um conto oriental, três príncipes de Serendip, nos seus passeios pela ilha, fizeram importantes e inesperadas descobertas, das quais sempre tiravam proveito, graças à sua inteligência e sagacidade.

Essa a inspiração que levou o escritor e político inglês Horace Walpole a sugerir, em 1754, a palavra “serendipity”, para designar descobertas científicas felizes, mas acidentais.
Na serendipidade, aliam-se sorte, para fazer a descoberta inesperada, e competência, para reconhecer sua importância.

Horace Walpole

Exemplos de serendipidade

(1) O escocês Alexander Fleming fazia uma cultura de bactérias patogênicas e sobre esta caiu acidentalmente uma partícula de fungo “Penicillium notatum”, provocando a morte das bactérias. Estava descoberta a penicilina (1928).

Fleming

(2) O engenheiro suíço George de Mestral viu sementes espinhosas em sua calça e teve a ideia de inventar o Velcro (1948).

(3) Os pesquisadores norte-americanos Arno Penzias e Robert Wilson, trabalhando a serviço dos Laboratórios Bell, ao calibrarem a antena gigantesca de um radiotelescópio destinado a ampliar os sinais a serem recebidos da estrela Cassiopeia A, perceberam um estranho ruído, vindo de todas as direções do céu e sempre com a mesma intensidade.
Um ruído sem causa.
Em vão procuraram defeitos em todos os componentes do radiotelescópio e de sua antena, chegando mesmo a se preocupar com as fezes (“material dielétrico branco”) depositadas na antena por um casal de pombos que nela se alojara. Na sequência desses eventos, e com o auxílio dos físicos teóricos da Universidade de Princeton, ficou provado que Penzias e Wilson haviam detectado o ruído do Big Bang, ou seja, o ruído da explosão primordial que deu origem ao Universo.
Esse ruído, que está atualmente na forma de rádio, no espectro conhecido como micro-ondas, acompanha o Universo eternidade adentro e tem o nome de “radiação cósmica de fundo em micro-ondas”(1964).


Penzias e Wilson

(4) O cientista e inventor norte-americano Arthur Fry tentava fabricar uma supercola e obteve, ao contrário, uma cola muito fraca, que só serviu para marcar as páginas do seu livro de hinos. Assim nasceram os adesivos do tipo "post-it" (1974).


(5) O Viagra, desenvolvido nos Estados Unidos para tratamento de problemas cardíacos, apresentou o inesperado efeito colateral de provocar ereções penianas, o que levou o grupo Pfizer a patenteá-lo para uso na disfunção erétil (1996).