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Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado é igual fé, não teologa mais.
Duro de forte o amor feinho é magro, doido por sexo e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa e saudade roxa e branca, da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é: eu sou homem e você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão, o que ele tem é esperança: eu quero amor feinho.
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Exausto
Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
Adélia Prado (nascida em 1935), em "Bagagem"
2 comentários:
Obrigada por esse lindo presente!
Dois poemas maravilhosos de Adélia
Prado, nessa virada de calendário, desanuvia bastante nossos horizontes!
Vim desejar-te muitas alegrias,muito amor ("feinho"!)e coragem para continuar labutando
nessa vida...!
Um grande abraço e obrigada pelo estímulo que me deste durante todo esse tempo que estou na blogosfera.
"Vou indo, caminhando, sem saber onde chegar"...
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