sábado, 28 de maio de 2011

A TIA DO PRADINHO

Sexta-feira, no Humphrey's

Voando de volta da Califórnia, sentei-me ao lado de uma senhora que estivera visitando amigos em San Diego. Irene, este o seu nome, aparentava cerca de cinquenta anos, uma pessoa de muita simpatia e fácil comunicação. Fiquei sabendo que atuava no ramo de distribuição de produtos cinematográficos, entendia de vinhos, gostava de música clássica e era tia do Pradinho, um colega do Santo Agostinho, cujo mérito, para mim, era ter sido um campeão no jogo de sinuca.

- O Pradinho abandonou uma carreira de juiz de direito para dedicar-se a um ramo do Budismo chamado de tradição Theravada. Creio que está morando em
Anantapur, na Índia.

Anantapur

Quando lhe disse que um dos meus assuntos era análise de projetos, Irene mencionou uma proposta que recebera para ser sócia num empreendimento francês de exibição de filmes clássicos pela televisão paga.

- Se você quiser, disse-lhe eu, posso examinar o projeto, assim que chegarmos ao Rio de Janeiro.

Era um relatório simples e fácil de entender, que se baseava no número previsto de assinantes, com estimativas de custos e de receitas. Lembrei-me de Sean Forthwhite, da WED, quando percebi que foram supervalorizadas as estimativas positivas e ignorados os eventos adversos do projeto. Meu conselho foi para que descartasse a empreitada, e a consequência de tudo foi que nos tornamos amigos.

- Não deixa de ser novidade, uma amizade, assim tardia, aparecendo na vida de um solitário, como eu.

Lembro-me de que Irene mencionou certa vez que eu, com meus 36 anos, deveria pensar em me casar. Uma observação que contabilizei como do tipo social, dessas que se fazem para não deixar morrer a conversa, como quem emite observações sobre o tempo meteorológico ou sobre a corrupção na política.

- Sexta-feira?

Com alguns dias de antecedência, por iniciastiva dela, decidimos nos encontrar numa sexta-feira no Humphrey’s, para um jantar onde atualizaríamos a nossa conversa. Estava acertado que eu poderia chegar com um pouco de atraso, por causa de uma reunião que fazemos nas noites de sextas-feiras no departamento de Economia. Quando o dia chegou, a caminho da faculdade passei pela manhã numa casa de flores e escolhi para Irene uma dúzia de rosas, que um portador deveria levar ao restaurante, exatamente às 21 horas.

- Eu não sabia que aquele jantar mudaria a minha vida...

Um comentário:

Paulo Cardoso disse...

Leia babylon5miles.blogspot.com