sexta-feira, 29 de novembro de 2013

UM EXEMPLO DE SUPERAÇÃO


STEPHEN HAWKING
 

Stephen Hawking, nascido em Oxford, na Inglaterra, no ano de 1942, é o físico teórico mais aclamado, desde Einstein. Em colaboração com o cosmólogo Roger Penrose, foi autor de estudos que ajudaram a unir a teoria geral da relatividade de Einstein à teoria da mecânica quântica. Além disso, Hawking demonstrou que o Universo teve um começo e estudou a natureza dos “buracos negros”, que se caracterizam por apresentar uma temperatura, têm um relacionamento com a entropia, real e mensurável, e emitem radiação, na forma de partículas subatômicas, não por acaso conhecida nos meios cosmológicos com o nome de “radiação de Hawking”. Junto com James Hartle, criou a teoria da Função de Onda do Universo, que introduz uma proposta de “limite sem limite”, para descrever a condição inicial do Universo. Seu livro “Uma Breve História do Tempo” tornou-se um best-seller e o transformou numa celebridade mundial.

           
             
           A história de Stephen Hawking é acima de tudo um exemplo de superação. Quando tinha 21 anos, em 1963, começou a padecer de uma doença conhecida como esclerose lateral amiotrópica, que desencadeia uma deterioração irreversível da coluna vertebral, da medula e do córtex e culmina com a total atrofia do corpo. Menos mal que não provoca a morte do paciente, nem afeta a sua inteligência. Sem capacidade para nenhum movimento, nem força para manter a cabeça erguida, passou a viver numa cadeira de rodas. A doença também afetou a fala, cada vez mais desarticulada, o que não o impediu, em 1984, de ditar à secretária o rascunho de um livro. No ano seguinte, porém, Hawking teve uma pneumonia grave e precisou fazer uma traqueostomia de emergência. Foi então que ficou totalmente sem voz. Mais tarde passou a utilizar o software Equalizer, que permite escrever frases selecionando palavras de um menu com um toque da mão. Por fim, um sintetizador de voz foi adicionado ao Equalizer e trouxe de volta a fala, ainda que eletrônica. Hawking manifesta, com ironia, uma única reclamação: 

            - O sintetizador me dá um sotaque americano. 

    Comunicando-se com seus alunos com o uso de um botão, Hawking ocupou a cadeira de Isaac Newton na Universidade de Cambridge, da qual se aposentou em 2009.


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

ARISTARCO DE SAMOS


SISTEMA HELIOCÊNTRICO

             
 Um habitante de Alexandria, Aristarco de Samos (310 a. C. - 230 a. C.), iria conceber um mundo segundo uma teoria heliocêntrica total, vinte séculos antes de Copérnico.  Aristarco chegou a este modelo porque se dedicou a calcular distâncias, como as que nos separam da Lua e do Sol, utilizando o método da paralaxe, uma de suas criações. Também acertou quando afirmou que a Terra gira em torno do seu eixo, fazendo uma volta completa em 24 horas. Seu modelo de Universo era incompatível com o que se podia aceitar na sua época e recebeu o seguinte comentário de Arquimedes (287 a.C. - 212 a. C.):

            - Vejam só, que engraçado... Aristarco faz a hipótese de que as estrelas e o Sol permanecem imóveis; e de que a Terra se move em torno do Sol, descrevendo a circunferência de um círculo. Só faltava essa!

            O estoico Cleanto de Assos (331 - 232 a.C), outro de seus detratores, quis abrir contra ele um procedimento de heresia, numa antecipação do episódio que se repetiria quando o Santo Ofício moveu um processo contra Galileu, no século XVII. Infelizmente, o modelo de Aristarco foi completamente esquecido, embora suas concepções estivessem muito mais próximas da verdade do que as de Aristóteles. 


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

PENZIAS E WILSON


A COMPROVAÇÃO DO BIG BANG


 

 Era o ano de 1964. Os pesquisadores norte-americanos Arno Penzias (nascido em 1933) e Robert Wilson (nascido em 1936) calibravam em New Jersey a antena gigantesca de um radiotelescópio destinado a captar sinais emitidos pela estrela Cassiopeia A, quando perceberam um estranho ruído, vindo de todas as direções do céu e sempre com a mesma intensidade. 

- Um ruído sem causa, pois o radiotelescópio estava desligado. 

Em vão procuraram defeitos em todos os componentes do radiotelescópio e de sua antena, chegando mesmo a se preocupar com as fezes depositadas por um casal de pombos que nela se alojaram. Na sequência desses eventos, e com auxílio dos físicos teóricos da Universidade de Princeton, ficou provado que Penzias e Wilson haviam detectado o ruído do Big Bang, a explosão primordial que deu origem ao Universo. Atualmente sob a forma de ondas de rádio, no espectro conhecido como microondas, esse ruído acompanha o Universo na sua expansão eternidade adentro e tem o nome de “radiação cósmica de fundo em microondas”.



sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O SOFISTA MAIS POPULAR


           PROTÁGORAS

            Protágoras (483 a. C. - 410 a. C.) é o mais conhecido dos sofistas, a classe de intelectuais que ao tempo de Sócrates se dedicavam a ensinar retórica e eloquência aos jovens atenienses que pretendiam dedicar-se à política. Pois aquele era um tempo de democracia, seguindo-se à vitória de Atenas sobre os persas, em 479 a. C. É nessa época que a filosofia começa a se afastar das investigações sobre a natureza e sobre o universo, para dedicar-se preferencialmente às questões humanas. Dizia ele que o homem é a medida de todas as coisas: daquelas coisas que são, pelo que são, e daquelas que não são, pelo que não são, entendendo por medida a norma de juízo e entendendo por coisas, os fatos em geral. O homem é o juiz de todos os fatos, pois dispõe da razão; mas existe uma diferença infinita entre homem e homem, e exatamente por isso as coisas parecem, e são de um jeito, para uma pessoa, e parecem, e são de outro jeito, para outra pessoa.

 
            Protágoras era amigo de Péricles, mas foi banido de Atenas, e teve suas obras queimadas em praça pública, depois de manifestar que não se pode afirmar que os deuses existem, nem que não existem. Morreu num naufrágio, quando a seguir fugia para a Sicília. Protágoras foi o primeiro grego a ganhar dinheiro com ministrar aulas de oratória, poesia, cidadania e gramática, e era famoso pelo alto preço que cobrava.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

NA IDADE MÉDIA


COSMAS INDICOPLEUSTES

 
           - Cosmas Indicopleustes?           

 Cosmas Indicopleustes viveu no século VI da Era Cristã. Era um mercador de Alexandria, que fez inúmeras viagens à India, no decurso das quais acabou se tornando monge. Naquela época os religiosos tinham dificuldade para aceitar a esfericidade da Terra, sobretudo pela afirmação de Aristóteles de que havia outro continente na parte sul do nosso planeta, habitado pelos antípodas, contrapondo-se ao mundo que então se conhecia. Não podiam admitir que houvesse outra civilização, de homens não alcançados pelo Dilúvio. Por isso, mesmo os que acreditavam na esfericidade da Terra, representavam-na como uma semiesfera, com apenas o Hemisfério Norte e seus três continentes. Cosmas Indicopleustes (literalmente, “Aquele que esteve na Índia”) retratou esse entendimento no seu livro Topografia Cristã, escrito por volta de 550, que, para além de informações sobre história, geografia, filosofia e religião, sustentava com veemência que o céu era uma caixa de tampa curva.       
Para ele, a Terra era plana como a superfície de uma mesa, argumentando com base nos postulados bíblicos:
            - Existem falsos cristãos que ousam sustentar que a Terra é esférica. Uma heresia dos gregos, que refuto com passagens e citações inequívocas dos textos sagrados.

 
Mapa do mundo, segundo Indicopleustes

Um desses argumentos era o Salmo 104: 5: “Assentaste a Terra sobre suas bases, irremovível para sempre e eternamente.” Um regresso de dois mil anos à concepção do mundo dos babilônios e egpícios, para aquém das concepções de Platão, Aristóteles e Ptolomeu.