sábado, 11 de maio de 2013

BEAUDELAIRE

OS BONS CÃES


"Invoco a musa familiar, a citadina, a viva, para que ela me ajude a cantar os bons cães, os pobres cães, os cães nojentos, aqueles de quem todos se afastam por serem imundos e pestilentos, à exceção do pobre ao qual estão associados e do poeta que os contempla com olhos fraternos. 

Eu canto os cães calamitosos, os que erram solitários nas ravinas sinuosas das imensas cidades e aqueles que com seus olhos espirituais e suplicantes disseram ao homem abandonado: 

- Leva-me contigo, e de nossas duas misérias quem sabe façamos uma espécie de felicidade."

quarta-feira, 8 de maio de 2013

EGIPTÓLOGA


SOU UM ANALFABETO CULTURAL

Conheci May, uma egiptóloga, numa livraria do Leblon, diante de uma estante de obras portuguesas. O que faz uma egiptóloga eu não sei, pois sou um analfabeto cultural.

Egiptóloga 

O homem moderno distingue-se pelo nível e excelência das suas informações - positivamente não é esse o meu caso. Preciso estudar mais, porque essa coisa de saber apenas física me inferioriza e dificulta minha vida como pessoa. Sei sobre as leis de Newton e o teorema das forças vivas. Mais não sei, nem mesmo consultar uma carta de vinhos. O único caminho é padecer sobre os livros de filosofia, arte, música, história, em vez de ficar prevaricando ou malbaratando por aí meu escasso tempo de lazer. 

- Egiptóloga, uma linda egiptóloga, veja só!


sábado, 4 de maio de 2013

A MOÇA DA MERCEDES VERMELHA

 
Numa fria madrugada de julho, eu curtia minha solidão sentado num banco da pracinha de Muriaé. Ninguém, exceto eu. Uma Mercedes vermelha surgiu do lado da estação, deslizando suavemente, e parou quase junto de mim. Era uma bela moça, que dizia chamar-se Mariella Foscari e dirigia-se para Cataguases. Vivia uma emergência, pois saíra sem dinheiro e estava quase sem gasolina no carro.
- Não seja por isso, comentei, repassando-lhe cem reais e um cartão com meu endereço no Rio de Janeiro.
Um mês depois, recebi uma carta contendo cem reais. Nenhuma palavra, apenas “MF, Cataguases”, no verso do envelope. Perguntei sobre a moça ao Pradinho, um amigo do vôlei de praia, que é de Cataguases.
-Mariella? Morreu há quinze anos. Parou sua Mercedes na estrada, por falta de gasolina, foi violentada e assassinada brutalmente.
- Morreu há quinze anos?
- Quinze anos. Corre a lenda de que a moça, isto é , o seu fantasma, atravessa as madrugadas pedindo dinheiro emprestado para comprar gasolina. Bizarro, não?
- Muito...



quarta-feira, 1 de maio de 2013

O SENHOR ESTÁ DE BRINCADEIRA...


Richard Feynman, Prêmio Nobel de Física 


Richard Feynman, físico de Nova York que gostava do Rio de Janeiro, foi um dos ganhadores do Prêmio Nobel de Física de 1965, por seus trabalhos relacionados com Física Quântica. 

Exímio tocador de tamborim, brilhou nas batucadas de Copacabana e conquistou o título do carnaval de 1952 tocando frigideira no bloco carnavalesco Inocentes de Copacabana. 

  Certa vez voltou para os Estados Unidos acompanhado de uma prostituta, de nome Clotilde, que o chamava de "querido Ricardinho".

Ele dizia que nos tempos de estudante, numa festa na Universidade de Princeton, a mulher do reitor ofereceu-lhe chá, com a seguinte pergunta:

- O senhor toma o seu chá com leite ou com limão?

- Com ambos, respondeu o distraído Feynman.

- O senhor está brincando, senhor Feynman!, protestou a anfitrioa.

Em 1985 Feynman escreveu o livro autobiográfico "O senhor está brincando, senhor Feynman!" ("Surely you´re joking, Mr. Feynman!"), que teve 500 mil exemplares vendidos.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

EM PARIS


Ludivine, divina Lu

Sonhei que desembarcava em Paris, procedendo de Hong Kong, num voo de primeira classe. Infelizmente, porém, não me lembro do resto do sonho, o que é uma pena. Sonho bom não deveria ser incompleto e inconclusivo assim. Posso, não obstante, imaginar perfeitamente o que aconteceu, pelo que sei de mim: vaguei pelos Champs Elisées e tomei um chope em Saint German de Près. 

- Vi desse modo muitas mulheres lindas, gozozas e flertativas.


Tomara que tenha topado com a Ludivine Sagnier, na entrada do Louvre, ou melhor, no Jardim de Luxemburgo. Para, enfim e cara a cara, depor-lhe a grande ambição da minha vida. Sei perfeitamente como seria esse diálogo.

- Mas, afinal, que ambição é esta, Carlinhos?

- Nadar na tua piscina, Lu.

- Ça va.

Ludivine, divina Lu.

sábado, 20 de abril de 2013

Bracelete Dourado




Despertei, no meio da noite, e percebi que havia uma mulher deitada a meu lado.

Como descobriu minha cama é para mim um mistério, mas posso garantir que era linda e pura como uma manhã de primavera.


A bela e eu logo nos abraçamos, gozosos e recíprocos, produzindo juntos um original e algumas cópias, de igual teor e validade.


Depois, exaustos, nos pusemos a dormir. 


Quando acordei, ela já não estava. Muito mistério, numa só noite...

Deve ter sido um sonho, ninguém precisa me advertir sobre essa possibilidade.

Como, porém, explicar o bracelete dourado que encontrei ao lado da cama?