quarta-feira, 22 de junho de 2016

Noli turbare circulos meos!


Palimpsesto é o nome que se dá a um manuscrito feito em pergaminho anteriormente usado para outro manuscrito, depois de raspado e polido. O texto original quase sempre pode ser resgatado mediante sofisticadas técnicas de restauração. Em 1909, foi descoberto em Constantinopla um palimpsesto de 174 páginas, datado do século XIII, no qual estava encoberto um texto de Arquimedes, hoje conhecido como “O Método”, que explica boa parte de suas ideias e realizações. Infelizmente, porém, muitos de seus trabalhos não são tranesse documento e foram perdidos para sempre.

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 Arquimedes (287 a. C.-212 a. C.) foi um dos principais cientistas da Antiguidade, havendo quem o considere o matemático mais importante de todos os tempos ou o “criador da ciência”. Calculou com exatidão o número π e a raiz quadrada de três, estudou a quadratura da parábola, determinou o centro de gravidade de paralelogramos, de trapézios, de retângulos e de segmentos de parábola; estabeleceu a relação entre o volume de um cilindro e o da esfera que nele se inscreva, utilizando infinitesimais, à maneira do moderno cálculo integral, que só viria a ser criado por Isaac Newton e Leibniz quase vinte séculos depois; fundou a hidrostática e a estática, estabelecendo suas leis fundamentais, como o Princípio de Arquimedes, inventou a bomba de parafuso, a rosca sem fim, a roldana móvel, a roda dentada e a alavanca.

- Como se vê, além de matemático, Arquimedes teve atuação extraordinária na física e na engenharia, atividades que de um modo geral não eram de interesse dos gregos.

Pouco se sabe a seu respeito, sendo certo que nasceu em Siracusa, quando a italiana Sicília fazia parte da Magna Grécia. Teria morrido em 212 a. C., durante as Guerras Púnicas, quando o general Marcellus comandou um exército romano que capturou Siracusa, depois de impor-lhe um cerco de três anos. O general invasor queria fazer de Arquimedes um prisioneiro que lhe criasse armas de cerco e máquinas de guerra; o intento frustrou-se porque o soldado encarregado da prisão não quis aguardar que Arquimedes, diante de um diagrama traçado na areia, concluísse a resolução de um problema de matemática, antes de ser conduzido ao calabouço. Enfurecido com a insistência de Arquimedes em retardar sua prisão, o impaciente soldado o matou com sua espada.
Versa a lenda que foram estas as últimas palavras de Arquimedes (em Latim):

- “Noli turbare circulos meos!” (Cuidado com os meus círculos!)