sábado, 22 de fevereiro de 2014

ONDE ESTÁ VELIONIS?


AJUDEM-ME A ENCONTRAR A MOÇA


Estou enviando esta circular para você e outros amigos para pedir que me ajudem a localizar uma moça da qual sei apenas que se chama Velionis. Trata-se de uma desconhecida, que bateu à minha porta numa madrugada de agosto, pedindo-me um favor: que eu apostasse na sena do dia 2 de setembro, pois estava impedida de fazê-lo pessoalmente. E foi me passando os números e o dinheiro da aposta, sem mais explicar.
Minha reação foi de perplexidade, claro, mas a moça se esgueirou, desaparecendo misteriosamente,  antes que eu pudesse dizer alguma coisa. 
Para complicar, e muito, o jogo foi contemplado com um prêmio de quase dez milhões de reais. Que tive de depositar na minha conta, pois a moça não apareceu nunca mais. Alguém me garantiu que "velionis” significa“falecida” em lituano, o que para mim não tem nenhuma importância.
Hei de localizá-la, custe o que custar. Ajudem-me, pois, a encontrar a Velionis!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

POR QUE O MENINO CHOROU?


QUESTÕES INDECIDÍVEIS


No filme Nós Que Nos Amávamos Tanto, do Ettore Scola, o personagem Nicola respondia sobre Vittorio De Sica, num quadro televisivo que se chamava "Lascia o raddoppia" ("Perde ou dobra"). No programa decisivo, cujo prêmio era milionário, ao candidato Nicola foi dirigida a seguinte pergunta:

- Por que o menino chorou no final do filme Ladrões de Bicicleta, de Vittorio De Sica?


Qualquer pessoa normal que tivesse visto o filme responderia que o menino chorou porque viu o pai sendo espancado; o candidato não era, porém, uma pessoa normal, mas alguém que sabia tudo sobre De Sica. Sabia, por exemplo, que, para fazer chorar o ator amador Enzo Staiola, que fazia o menino Bruno, De Sica ordenou a seus assessores que colocassem cigarros no bolso da criança e o acusassem de roubo. Ofendido, o menino começou a chorar de verdade, aparecendo assim no filme imortal.

Não iriam perguntar-me o que todos sabem, pensou Nicole. Foi por isso que o personagem de Scola respondeu:

- O menino chorou porque o acusaram de haver roubado os cigarros que estavam no seu bolso.



A resposta foi considerada errada, e o candidato perdeu o prêmio, pois, segundo a produção do programa, o menino chorou porque viu o pai ser espancado. Nicola nunca se conformou com esse desfecho, acreditando que, se tivesse optado por esta outra resposta, perderia do mesmo jeito, porque nesse caso a televisão diria que o choro ocorreu por causa dos cigarros. 

Só a produção do programa tem a resposta verdadeira. Para todos os demais, a questão é indecidível.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Não Há almoço grátis


OH, THERE AIN' T NO SUCH THING AS A FREE LUNCH

 Free lunch?

 Há no folclore norte-americano a história de que, estando um sábio a morrer, um grupo de amigos pediu-lhe, como último legado, um aforismo que fosse definitivo e não comportasse nenhuma exceção. O moribundo, solícito e generoso, pronunciou então suas palavras finais:

- Oh, there ain't no such thing as a free lunch.

Numa tradução não literal, essa frase significa algo como “amigos, não existe esse tal de almoço grátis” ou o nosso popular “se tem alguém comendo, tem alguém pagando”.  Deleitam-se muitas pessoas em buscar exceções à aplicação do aforismo, e alguns acham que está nesse caso o exemplo da mãe que amamenta o filho.

- Ninguém está pagando nada à mãe, dizem esses.

- Como não?, indagam os que não concordam. Pois há custos envolvidos, para fazer a capacidade de amamentação da mãe, e alguém tem de pagar por eles.