sábado, 8 de dezembro de 2012

CONTOS DE 150 PALAVRAS (48)


OS SETE SÁBIOS DA GRÉCIA ANTIGA

A lista dos sete sábios da Grécia assumiu sua composição definitiva ao tempo de Platão: Tales de Mileto, Periandro de Corinto, Pítaco de Mitilene, Bias de Priene, Cleóbulo de Lindos, Sólon de Atenas e Quílon de Esparta.
 
- Prefiro o Cleóbulo de Lindos
 
Conta a lenda que os pescadores de Mileto certa vez encontraram um vaso sagrado nas águas do Mar Egeu. Não havendo acordo sobre o destino que deveriam dar à peça, decidiram consultar a respeito o deus Apolo, no Oráculo de Delfos. A resposta de Apolo, transmitida pelas pitonisas, mandava entregar o vaso ao mais sábio dos homens. O escolhido foi Tales, que, não se considerando o mais sábio, enviou-o a Periandro, que, pelo mesmo motivo, passou a oferta adiante. E assim o vaso foi mudando de mãos, transitando pelos sete sábios. 

- O último deles, Sólon, encerrou a questão, ofertando-o a Apolo, "o mais sábio dos deuses".

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

CONTOS DE 150 PALAVRAS (47)


FALTA-ME A DAMA DE AROSA

 Schrödinger formulou em 1926 a teoria de que o elétron se comporta segundo uma equação de onda e parece ocupar várias posições no espaço, ao mesmo tempo!  O gênio tinha então 39 anos. A façanha, que lhe valeu o Prêmio Nobel de 1933, deu-se quando passava uma temporada com uma amante misteriosa nos Alpes suíços, conhecida nos meios científicos como Dama de Arosa.



- Idade suficiente já tenho. O que me falta é a Dama de Arosa... 

- Não falta mais nada?

- Ah, falta-me também o talento.

Um amigo estranhou essa pesquisa de idades e amantes.

- Acho que você está querendo ganhar um Prêmio Nobel!

Meu desejo é ser um bom professor de física. Quanto ao Prêmio Nobel, dou a mesma resposta de Dona Edith Pastoril, a nonagenária da Antero de Quental, quando lhe perguntam se acha possível receber uma proposta de casamento:

- A gente nunca sabe...

sábado, 1 de dezembro de 2012

CONTOS DE 150 PALAVRAS (46)


ALMOÇO GRÁTIS

 Free lunch?

 Há no folclore norte-americano a história de que, estando um sábio a morrer, um grupo de amigos pediu-lhe, como último legado, um aforismo que fosse definitivo e não comportasse nenhuma exceção. O moribundo, solícito e generoso, pronunciou então suas palavras finais:

- Oh, there ain't no such thing as a free lunch.

Numa tradução não literal, essa frase significa algo como “amigos, não existe esse tal de almoço grátis” ou o nosso popular “se tem alguém comendo, tem alguém pagando”.  Deleitam-se muitas pessoas em buscar exceções à aplicação do aforismo, e alguns acham que está nesse caso o exemplo da mãe que amamenta o filho.

- Ninguém está pagando nada à mãe, dizem esses.

- Como não?, indagam os que não concordam. Pois há custos envolvidos, para fazer a capacidade de amamentação da mãe, e alguém tem de pagar por eles.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

CONTOS DE 150 PALAVRAS (43)


Túmulo de Diofante


                                                                                                                                  
Diofante introduziu as abreviaturas e convenções que permitiram exprimir as diversas relações e operações algébricas, revolucionando a "álgebra com palavras" dos babilônios. Antes dele, a matemática dos gregos se limitava à teoria dos números, de Pitágoras, e à geometria estudada por Platão e seus seguidores, conforme depois sistematizada por Euclides.  

Algumas escassas informações sobre Diofante estão gravadas em seu túmulo, na forma de uma sequência do primeiro grau:

"Sua infância durou um sexto da sua vida; depois, usou barba por um doze avos; mais um sétimo, contraiu núpcias; seu filho nasceu cinco anos depois; esse filho, fraco e doente, teve a metade da vida do pai; e o pai, desgostoso, sobreviveu apenas mais quatro anos."

Quem se der ao trabalho de resolver a equação sugerida por esse curioso epitáfio, ficará sabendo que Diofante morreu com 84 anos. De fato,

X = X/6 + X/12 + X/7 + 5 + X/2 +4, de que decorre X = 84 


sábado, 10 de novembro de 2012

PÍLULAS (17)

O QUE ELES PENSARAM

 - Que tal uma sociedade?


(1) A primeira sociedade foi entre marido e mulher.
John Locke (1632-1704)

(2) A única solução é esquecer que se existe.
Arthur Schopenhauer (1788-1860)

(3) Tudo se afirma, se nega, se supera.
Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831)

(4) Somente anjos e animais não conhecem a angústia.
Sören Kierkegaard (1813-1855)


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

CONTOS DE 150 PALAVRAS (41)


UMA TRAGÉDIA EM  COIMBRA:
INÊS DE CASTRO
 
 
Em 1355, Afonso IV, o Rei Benigno, aceitou os conselhos de seus assessores e determinou a morte de Inês de Castro, a espanhola que era amante de seu filho Pedro, quando este, ausente, lutava pelo Reino de Castilha. 


Temiam os áulicos que a presença da bela mulher redundasse numa influência espanhola sobre o trono de Portugal.
 

Pero Coelho, Diego Lopes Pacheco e Álvaro Gonçalves foram encarregados de executar a pobre mulher, missão que teriam cumprido com requintes de crueldade, degolando Inês sem nenhuma piedade.

Segundo a tradição popular, o sangue de Inês ficou gravado numa rocha e nela permanecerá para sempre.

Desvairado com o ocorrido, Dom Pedro insurgiu-se contra o pai, derrotou-o, corou-se rei de Portugal e perseguiu os carrascos de Inês, torturando dois deles até a morte, Pero e Álvaro.
Isso ocorreu em 1358.


- Reza uma das versões que em 1361 Dom Pedro mandou exumar o cadáver de Inês, coroando-a rainha, e obrigou a nobreza a beijar a sua mão.
 


Súplica de Inês de Castro