sábado, 17 de julho de 2010

O GOL DE PLACA DE IMMANUEL KANT

Teoria do Céu
Imannuel Kant

Imannuel Kant (1724 - 1804) confessou que duas coisas enchiam seu espírito de admiração e reverência: “o céu estrelado acima de mim” e “a lei moral dentro de mim”.
Para entender o céu estrelado, Kant estudou o livro de Isaac Newton, "Princípios Matemáticos da Filosofia Natural", e publicou, aos 31 anos, uma obra audaciosa e de título complicado, “História Natural Universal e Teoria dos Céus, Ou um Ensaio sobre a Constituição e Origem Mecânica de Todo o Universo Tratada Segundo os Princípios de Newton”, mais conhecida por “Teoria do Céu”. Trata-se de um livro, de 1755, contendo importantes intuições cosmológicas. Entre elas, a de que a Via Láctea seria apenas uma entre uma infinidade de galáxias, cada uma com uma grande quantidade de estrelas e de sistemas solares.

O Grande Debate

Muitos astrônomos, como William Herschel
(1738–1822), acreditavam que a Via Láctea era a única aglomeração de estrelas do Universo. Defendiam que as nebulosas eram estrelas jovens dentro da Via Láctea, ao passo que os alinhados com Kant defendiam que essas nebulosas eram outras galáxias, situadas para além da Via Láctea.

William Herschel

A Academia Nacional de Ciências de Washington organizou em abril de 1920 um debate entre as duas correntes, que, ao fim e ao cabo, era na verdade uma discussão sobre o lugar da humanidade dentro do Cosmos. A galáxia única foi defendida pelos astrônomos do Observatório de Monte Wilson, representados por Harlow Shapley (1885-1972), enquanto a tese de que as nebulosas eram galáxias independentes foi defendida pelo experiente astrônomo Heber Curtis (1872-1942).

Heber Curtis

O Grande Debate pouco acrescentou, pois faltavam dados observacionais que ajudassem a decidir sobre a questão. Alguns astrônomos, pessimistas, chegaram a admitir que essa questão não seria jamais esclarecida, por situar-se numa fronteira indecidível, onde “o intelecto humano começa a falhar". Erro comparável, em contexto equivalente, ao de Augusto Comte, que manifestou em seu Curso de Filosofia Positiva a opinião de que nunca seríamos capazes de estudar a estrutura química e mineralógica das estrelas.

Harlow Shapley

Gol de Placa

Em 4 de outubro de 1923, Edwin Hubble (1889-1953), com seu telescópio de 2,5 metros de diâmetro, descobriu na nebulosa de Andrômedra uma cefeida sete mil vezes mais luminosa do que o Sol e, pela técnica desenvolvida por Henrietta Leavitt, aquela do “Harém de Pickering”, concluiu que essa estrela estava a 900 mil anos-luz da Terra. Ou seja, a cefeida de Andrômeda estava fora da Via Láctea, que tem de ponta a ponta não mais que 100 mil anos-luz.
A nebulosa de Andrômedra e outras nebulosas constituíam, pois, outras galáxias.
Hubble só anunciou sua descoberta na reunião de 1924 da Associação Americana para o progresso da Ciência.

Hubble

Céu estrelado

A intuição de Kant estava, pois, correta: o Universo não se restringe à Via Láctea, formado que é por cerca de 100 bilhões de galáxias, cada uma com cerca de 100 bilhões de estrelas, sendo a mais próxima do Sol a estrela Alfa da constelação de Centauro, que dista do Sol quatro anos-luz, cerca de 38 trilhões de quilômetros.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

COMO ME SAÍ NA BOLSA DE VALORES

Informações privilegiadas

Tia Estefânia sonhou certa vez com um número: 198. É vaca, disseram. Jogou no bicho e ganhou seiscentos cruzeiros. Cachorro, elefante e outros bichos vieram depois, e ela sempre acertava, pois a seta do tempo, que para quase todos caminha para a frente, e só para frente, nos seus sonhos era capaz de revoluteios mirabolantes muito compensadores. Valendo-se dessa prerrogativa, pôde acumular, devagar e criteriosamente, uma pequena fortuna.


Pesquisando recentemente sobre sonhos de apostadores vitoriosos, descobri que tia Estefânia não foi a única a prevalecer. Por exemplo: entre março e julho de 1946, Lord Kilbracken, que era então o jovem estudante John Godley, teve uma série de oito sonhos com cavalos que iriam vencer as corridas. Ele via nos sonhos os resultados das corridas do dia seguinte e até os prêmios proporcionados pelos animais vencedores. Conta-se que soube, como minha tia, auferir bons lucros a partir de tão privilegiadas informações.

Lord Kilbracken (John Godley)

Estefânia de Agrigento, lá em Miracema, e John Godley, em Oxford, eram capazes de subverter a hierarquia da relação que existe entre um fato e o momento em que dele temos a primeira notícia.
Isso, sem falar no polvo da Copa do Mundo.

Elucubrações na orla


Não sei se meus sonhos são muito curtos ou se a complexa entidade a que costumo chamar de eu, ao defender-se, não me permite conhecê-los em toda a sua extensão. São de tal maneira reduzidos que não costumam fazer nenhum sentido. No último dia das férias deste ano, tive, porém, um sonho extremamente longo, do qual me recordo perfeitamente: uma sucessão de acontecimentos envolvendo meu quotidiano, temores e fantasias.
Pela primeira vez, em toda a minha vida, uma história completa, como nos sonhos profissionais de Carl Gustav Jung. Completa, mas de sequências intemporais, que se interrelacionavam de modo estranho e irregular.

Na Praia

Durante sete anos e oito meses, andei 8,5 quilômetros todos os dias, na orla que corresponde ao Leblon, Ipanema e adjacências, o que, salvo multiplicações mais exatas, perfaz um percurso acumulado de 23.760 quilômetros. Como estamos no século XXI, é recomendável não ignorar que as leis básicas da física, essas que se aplicam aos fenômenos naturais, não se sustentam obrigatoriamente fora dos limites da nossa observação. A posição relativa de uma pessoa no universo controla o seu ponto de vista. Estivesse eu simultaneamente andando pela orla e olhando-me nessa atividade de um ponto fixo do Sol, o eu da praia teria andado aproximadamente 23.760 quilômetros conforme seu referencial, que sou eu, mas o eu do Sol saberia que me desloquei 6,9 bilhões de quilômetros para além do que postulam, cá embaixo, meus cálculos primários e desqualificados.

- Viver na Terra inclui uma viagem anual gratuita em torno do Sol, observou certa vez alguém inteligente, talvez a minha professora de Geografia.


Movimento de translação

Mais complicado seria se, em vez de se situar no Sol, o eu que observa o eu que caminha na orla estivesse na origem de um referencial com base em quatro estrelas fixas, tal o sistema de Galileu ou de inércia. De fato, não tenho como apresentar números alusivos às minhas caminhadas nesse último e decisivo sistema, pois calculá-los não está a meu alcance, nem se eu soubesse alguma coisa sobre as equações de Einstein e as concepções de Gödel

Há, de fato, uma física para cada observador, ou seja, diferentes pessoas têm diferentes opiniões. Cada um conforme seu referencial. Vasta e abençoada diversidade, fundamental para que possamos sobreviver neste mundo, qualquer que seja o número de Avogadro! Sem ela, a referida diversidade, não haveria corrida de cavalos, pois nenhum hipódromo sobreviveria se os aficionados apostassem a cada páreo no mesmo animal. Tampouco teríamos casamentos, olimpíadas, estelionatos, plebiscitos e revoluções.

A bolsa é a vida

Quando invadi o pregão da Bolsa de Valores, subi na mesa de operações, dei três batidas no microfone e, percebendo, pelo som esplêndido e cristalino, que funcionava perfeitamente, com a melhor das intenções disse exatamente o que se segue:


- Senhoras e senhores...


Tudo estacou, como num quadro de Ticiano, onde rostos numerosos ficam à espreita, dominados pela dúvida e pela angústia.

Ascensão ciclotímica

Os operadores silenciaram, e os computadores, inerciados pelos acontecimentos, pararam de vomitar cotações em tempo real. Os mercados de Nova York, Londres, Paris, Hong Kong, São Paulo, Kuala Lumpur, Madri, Tóquio, Frankfurt e Buenos Aires permaneceram longo tempo estáticos. E extáticos. Não havia opção, nem derivativo. Pois eu, apenas eu, tinha as informações.

- Senhoras e senhores... Senhoras e senhores...

Depus o microfone com a elegância requerida e me retirei do pregão. Soube depois que, passada a turbulência, Nova York e demais mercados voltaram a operar normalmente, embora minha decisiva intervenção tivesse provocado grande instabilidade na Bolsa de Milão, que naquele dia estava particularmente volátil.

Encerrava-se, assim, minha primeira e única experiência com a Bolsa de Valores.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

NO JANTAR, COM SOFIA LOREN

MEU SONHO COM ELISA

- Elisa vai lhe ensinar maneiras e, depois, sobre cepas e investimentos.


- Como assim?, perguntei, assustado.

- Ora, Thales, você participará de inúmeros encontros internacionais, de grave responsabilidade. Por isso, é essencial que saiba o que os outros não sabem. Imagine-se à mesa, no Castelo Sforza, em Milão, com Silvio Berlusconi, Diane Keaton e Sofia Loren, e, por hipótese,....

Sofia Loren

- Eu, exatamente eu?


... a você é dado escolher um vinho para acompanhar o prato sugerido por Sofia Loren:
pato selvagem da região de Trentino, com molho béchamel de Toscana. Como fazê-lo, sem conhecer sobre fenólicos e taninos ou ignorando a diferença entre um varietal italiano e um magnífico bordeaux, mis en bouteille à la propriété?

- Mis en bouteille à la propriété?

- Da mesma forma, você não poderá errar na hora dos talheres.

- Espero acertar. Saiba, porém, que, emboraThales, não sou de Mileto.

Diane Keaton

- Depois, no decorrer da desgustação, não lhe cabe ignorar o teorema das forças vivas, a teoria das supercordas, as concepções de Demócrito de Abdera ou, enfim, por que Tony Blair sustentou várias vezes na Câmara dos Lordes que a Inglaterra sempre se sai bem nos processos de benchmarking.

- Benchmarking?


- Sim, uma p
esquisa que permite avaliar um desempenho, comparando-o com um referencial de excelência, chamado de benchmark.

Saber o que é benchmarking, onde já se viu? Hei de arranjar uma maneira de avisar a esse pessoal que nasci em Cascadura, pois com certeza estão cometendo um descomunal erro de pessoa. Morrer, dormir, renascer em Copacabana, quem sabe?


- Aprender tudo isso, eu, euzinho? Você está falando sério?

- Seriíssimo. O homem moderno distingue-se pelo estilo e, principalmente, pelo nível de suas informações.

- Tudo bem, tudo bem.

- Preste muita atenção, para não ser reprovado.

O negócio é seguir em frente. É melhor receber aulas de etiqueta, saber o que é benchmark, e até ser reprovado, do que pedir dinheiro emprestado, contrair malária ou penar na fila dos doentes irreversíveis.


Etiqueta

Ela se chama Elisa e vai me ensinar etiqueta, mais do que isso não sei.

- Os etimologistas afirmam que na época do Absolutismo os burgueses, de pouco refinamento, recebiam na forma de bilhetes (”etiquettes”) acostados aos respectivos convites as regras de comportamento a serem observadas nos eventos da Corte. Essa a origem da palavra “etiqueta”.

- Muito interessante...

- Muito interessante? Fica melhor pensar que etiqueta é uma extensão da ética, uma eticazinha, como norma comportamental de respeito ao outro, dissociando-a das concepções preconceituosas que a relacionam com gestos de submissão, cerimoniais, salamaleques, frases feitas, talheres de prata, uso de luvas, fraques ou cartolas. Ser gentil com caixas de supermercado, não usar telefone celular em ambientes fechados ou ceder a vez a uma senhora na fila é mais importante do ponto de vista social do que segurar corretamente o garfo ou saber como dirigir-se a um garçom. A pessoa precisa saber como recusar um convite, comportar-se perante idosos e portadores de deficiências físicas, corresponder a um favor recebido, organizar uma lista de convidados ou agradecer por um presente de casamento. Não comentar sobre defeitos de outros, não ufanar-se, permitir que as outras pessoas também se manifestem e tomar em consideração opiniões e posições alheias. Não exibir-se, nem mostrar o que não sabe...

- Sempre faço muita força para isso, professora.


- Aprenda a dizer “bom dia”, “por favor” e “muito obrigado”. Se não quer, diga “não”. Se não sabe, diga “não sei”. Se tiver dúvida, peça todos os esclarecimentos. Seja assertivo, impondo-se sempre, mas sem grosseria, que esta nunca rendeu nenhum dividendo em favor de ninguém.

Meus pensamentos enquanto ela falava

- Será que está flertando comigo?

Linda, linda, a Elisa.
Acho que está flertando comigo.
Não, não, não, claro que não.

Não posso dar nenhuma bandeira.
Se dou um fora, ela me reprova, perco tanto o emprego quanto os banquetes com a Sofia Loren, retornando a Cascadura...


O melhor benchmark

Acordei no meio da noite e percebi que Elisa estava deitada a meu lado, seminua.
Linda e pura como uma Desdêmona de Verdi.
Lembro-me de que segurou minha mão carinhosamente.

Elisa
- Thales?

- Sim, Elisa.

- Você está aprovado, pois tem o melhor benchmark...

Assim foi. Considero-me aprovado pelo resto da vida.

sábado, 3 de julho de 2010

DRUMMOND


CEMITÉRIO (DE BOLSO)


Do lado esquerdo carrego meus mortos.
Por isso caminho um pouco de banda.

(Carlos Drummond de Andrade(1902-1987),
em "Fazendeiro do Ar", José Olympio, 1954)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

BOLA NA ARQUIBANCADA

MEU NOME CAFONA

- José Cláudio Antônio Nicola Estradivário Pastasciutta, esse de fato o seu nome, Estevinho?


Nome cafona dá trabalho. Tenho felizmente uma resposta pronta, que costuma funcionar.

Cremona

- Sei que é um nome vasto e complicado, mas tem sua explicação. Meus ancestrais, em Cremona, dedicaram-se desde muitos séculos à fabricação de espaguete, talharim, ravióli e canelone. O nome da família - Ticiani- foi sendo paulatinamente substituído por Pastasciutta. Um nome que me enche de orgulho, pois, longe de ser uma folha ao vento, tem passado e futuro, história e substância. Como todo italiano, meu pai tinha muito orgulho de sua terra, particularmente de Cremona, o mais importante centro mundial de fabricação de instrumentos de corda, segundo uma tradição que começou com Nicola Amati, no século XVII, continuou com Giuseppe Guarnerius e Antonio Stradivarius, no século XVIII, e se estende até os dias de hoje. Cremona é a terra natal de Claudio Monteverdi, violista e criador da ópera italiana.

- Tudo isso tem relação com seu nome?

- Sim. Quando nasci, recebi um nome que homenageava toda essa gente ilustre de Cremona. Carrego um penduricalho, mas um penduricalho histórico!


François Truffaut

Parece que colou
. Devo fingir que sou intelectual e tentar acertar na mosca, antes que se levante da minha cama, decida ir embora e me deixe no ora-veja. O negócio é manter a calma, Estevinho, e falar com naturalidade e sem afetação. Tudo bem, mas sobre o quê? René Clair e Truffaut... não, não, que ela é francesa. Quem sabe aquele assunto dos buracos negros, as três leis de Newton, Demônio de Maxwell?

- Estevinho, você se formou em quê?

Ela foi mais rápida, ou seja, falhei... Não posso confessar que meu pai me abandonou e fugiu para Cremona, depois de dar um desfalque na Central. Com quem fiquei, aos oito anos de idade? Fiquei sozinho, pois minha mãe foi-se com ele, e só não morri de fome porque o acaso, que é cúmplice do tempo, zela pela sobrevivência dos desamparados. Na Febem quiseram me encaçapar, porque eu tinha cara de filhinho de papai. Escapei pela tangente e me tornei vendedor de livros: Jorge Amado, literatura de cordel, receitas de dona Benta, como fazer amigos e influenciar pessoas.

Cabeceando no ângulo...

Pois é, um dia encalhou nas minhas mãos o livro, glorioso, que ensinava a vencer na vida fazendo força na direção certa, que decidi ler por falta de programa melhor. Nele aprendi que as benesses são desigualmente distribuídas, segundo critérios que é inútil discutir. Basta empolgar o seu espaço, cara pálida. Conclua a Inacabada de Schubert, invente o motor de combustão externa, procure libelático no dicionário, plante uma bananeira no alto do Himalaia, compre o bilhete que será contemplado com o grande prêmio, aprenda a cabecear no ângulo, dedique-se à alta costura.
Segui os ensinamentos à risca e achei um caminho. Mas não me formei em nada, eis o problema, e, para não decair perante esta Pascale maravilhosa, só me resta recorrer ao Plano B.

- Pascale, não me formei em nada. E explico por quê: as universidades nada têm para ensinar, neste tempo de internet e globalização. Reconheço que foram instituições importantes em tempos remotos, talvez na época de Galileu e Newton. Veja que...

- Uma afirmativa contrária ao senso comum.

- Marconi nunca frequentou escola nenhuma, foi o inventor do rádio e obteve em 1909 o Prêmio Nobel de Física, ele que se baseou nas teorias de Hertz e Branly, que aprendeu nos livros, e não na universidade.

Marconi

Sem parar de falar, Estevinho pôs-se a fazer o jantar. Mergulhou a lagosta numa panela funda, contendo court bouillon fervente, e deixou cozinhar, esperando que a carapaça ficasse bastante vermelha. Enquanto isso, refogou a cebola, até que se tornasse dourada, e adicionou-lhe caldo de carne e vinho bordeaux. Em seguida, retirou a carne da cauda e da garra da lagosta, manuseando o garfo e a faca com habilidade. Serviu a sopa de cebola em cumbuca refratária, com queijo bruyère ralado, e, após, a lagosta, acompanhada de vinho branco.

- Chablis
?

- Sim, Fourchaume, 2002.
Claro, não sou nenhum Marconi, mas tudo que sei aprendi sozinho, lendo, comparando, experimentando. Quando soube das joint-ventures, comecei a estudar por conta própria, importei livros, frequentei congressos, consultei especialistas. Por quê, se esse negócio de joint-ventures não existia no Brasil? A resposta eu dei quando se fez a opção pela globalização da nossa economia. As companhias internacionais chegaram indagando sobre quem entendia de joint-ventures no Brasil. Só havia uma convergência: José Cláudio Antônio Nicola Estradivário Pastasciutta, o Estevinho.

Pascale deliciou-se com o fígado verde e cremoso da lagosta.

- Você é um excelente cozinheiro, além de bom contador de histórias. Mas não concordo com essa tese sobre as universidades.

Fermat

- Outro exemplo é o de Pierre de Fermat, que, não sei se você sabe, foi o maior matemático do século XVII, pois com ele começou o cálculo diferencial, o cálculo das probabilidades e até a geometria analítica, que desenvolveu ao mesmo tempo que Descartes. Ficou popular por causa do famoso “Último Teorema de Fermat”, cuja demonstração representou um desafio de 300 anos para os matemáticos de todo o mundo.

- Para os matemáticos e não-matemáticos, por causa de um prêmio de um milhão de marcos, oferecido pela Universidade de Göttingen. Fermat era natural de Toulouse, onde já residi, por acaso a cidade do Carlos Gardel. Você ousa dizer que ele nunca frequentou nenhuma faculdade?

- Você sabe essas coisas, hein? Também, francesa... Se Fermat frequentou alguma faculdade? Frequentou, claro que sim, mas uma faculdade de direito, que nada tem a ver com matemática. No caso do Fermat, houve, pois, um apreciável desperdício de tempo na universidade...

- Nada disso. A universidade deu-lhe todas as condições, e, por ser advogado, tornou-se um destacado juiz. Lembre-se que Fermat não era matemático profissional, tanto que, entre os matemáticos, foi considerado "o Príncipe dos Amadores".

- Marconi e Fermat ilustram a minha tese...

- Há centenas de universidades no mundo, milhares de pessoas em múltiplos países pesquisando sobre todos os temas e dando impulso à humanidade, e você as refuta com duas exceções, dois exemplos de algibeira. Você faz estatística com pequenos números, além de ignorar completamente a realidade que se opõe às suas conclusões. Muito bizarro...

Muito bizarro!

O Plano B, execrar a universidade para justificar a mediocridade, meu papo oblíquo que sempre funciona muito bem, foi desta vez uma bola na arquibancada. Isso, exatamente isso, joguei e perdi....

quarta-feira, 23 de junho de 2010

UM TERRÍVEL PARADOXO

ANCHIETA

O padre José de Anchieta (1534 - 1597) é uma das personagens mais interessantes da História do Brasil. Natural da Ilha das Canárias e tendo estudado filosofia em Coimbra, Anchieta chegou ao Brasil em 1553, com menos de 20 anos. Vítima de um problema na espinha dorsal, o jovem sofria de dores agonizantes, caminhava apoiando-se sobre um bastão e envolvia o tronco em faixas que lhe disfarçavam a corcunda.

Obra

Anchieta era fluente em espanhol, português e latim; para além de suas atividades religiosas, destacou-se como gramático, poeta, teatrólogo e historiador. No Brasil, estudou imediatamente a língua indígena e logo escreveu uma gramática e um vocabulário tupi, bem como manuais em tupi, para utilização dos confessores e para assistência aos moribundos. Manejava a língua dos nativos para compor canções, poemas e peças teatrais, de caráter sacro, com o que procurava atrair os índios para o Catolicismo. José de Anchieta foi beatificado, em junho de 1980, pelo Papa João Paulo II.

Seu primeiro livro, "De Gestis Mendi de Saa", em latim e em versos, foi impresso em Coimbra em 1563, narrando a luta entre os portugueses de Mem de Sá e os franceses de Villegaignon, na cidade do Rio de Janeiro.

- Trata-se do primeiro poema épico de toda a América e é anterior à edição de "Os Lusíadas" (1572), de Luís de Camões.

Seu segundo texto impresso foi a "Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil”, com os fundamentos da língua tupi, publicada em Coimbra, em 1595.
Foi também autor de poesias em verso medieval, como o poema "De Beata Virgine Dei Matre Maria", mais conhecido como "Poema à Virgem", com 4.172 versos em latim, e de cantos piedosos, diálogos e autos, segundo o estilo de Gil Vicente, e, por isso, é considerado o iniciador do teatro e da poesia no Brasil. São também importantes as suas cartas para Portugal e Roma, com ricas informações sobre a flora e a fauna, particularmente os peixes encontrados no Brasil.


Como pode?

No livro “O Povo Brasileiro”, Darcy Ribeiro menciona a guerra sem quartel entre os portugueses, com seus canhões e arcabuzes, e os indígenas brasileiros, que dispunham apenas de tacapes, zarabatanas, arcos e flechas. Uma guerra desigual, desumana até. Darcy estranha o gosto dos cronistas da época em exaltar o heroísmo lusitano nessa empreitada de massacrar índios covardemente. Entre esses cronistas, está José de Anchieta. Escreve Darcy Ribeiro:

“Anchieta, descuidado da cordura que corresponderia à sua futura santidade, louva assim o bravo governador (Mem de Sá):


Quem poderá contar os gestos heroicos do Chefe
À frente dos soldados, na imensa mata:
Cento e sessenta as aldeias incendiadas,
Mil casas arruinadas pela chama devoradora,
Assolados os campos, com suas riquezas,
Passado tudo ao fio da espada.

Estes são alguns dos dois mil versos de louvação escritos em latim por José de Anchieta no poema “De Gestis Mendi Saa”.

Mem de Sá, o "Chefe", comandou um programa "civilizador" que destruiu cerca de trezentas aldeias indígenas na costa brasileira do século XVI.





sábado, 19 de junho de 2010

VIDA E MORTE DAS ESTRELAS

GALÁXIAS

Uma galáxia é um ajuntamento de estrelas, gás e poeira, que se unem por ação da gravidade. Sabe-se hoje que a parte visível do Universo comporta cerca de 100 bilhões de galáxias, cada uma contendo em média cerca de 100 bilhões de estrelas. Somando tudo, são 10 bilhões de trilhões de estrelas! Com o impressionante detalhe de que as estrelas guardam entre si distâncias extraordinariamente elevadas: a estrela mais próxima do Sol, a estrela Alfa, da constelação de Centauro, dele dista 4,2 anos-luz (cerca de 40 trilhões de quilômetros!).

Constelação de Centauro

As galáxias têm variados aspectos, mas Edwin Hubble classificou-as segundo três tipos: galáxias elípticas, galáxias espirais e galáxias irregulares. Nossa galáxia, a Via Láctea, é uma galáxia espiral, de diâmetro igual a 100 mil anos-luz (um milhão de trilhões de quilômetros) e espessura de 16 mil anos-luz, contendo entre 200 e 400 bilhões de estrelas. O Sol, uma delas, é a estrela que comanda nosso sistema planetário, o qual, como um todo, desloca-se no espaço a uma velocidade de 16 quilômetros por segundo, em direção a Vega, a estrela mais brilhante da constelação de Lira. O diâmetro do Sol é mais de um milhão de vezes o diâmetro da Terra, sua massa é maior que 330 mil vezes a massa da Terra, e dele distamos cerca de 150 milhões de quilômetros. Sua luz demora mais de oito minutos para chegar até nós e é tão intensa que não nos deixa ver os outros astros durante o dia.

- O telescópio com que os cientistas estudam o Sol tem um filtro especial para proteger sua visão.

Via Láctea, galáxia espiral

Galáxia elíptica

Galáxia irregular

O que ocorre nas estrelas?

Uma estrela se forma quando uma gigantesca nuvem de gás hidrogênio começa a ser comprimida por ação da gravidade. A força da gravidade aquece o gás gradativamente, fazendo com que a energia gravitacional seja convertida em aceleração do movimento dos átomos de hidrogênio, ou seja, em energia cinética. Cada hidrogênio, no seu núcleo, tem apenas um próton, cuja carga positiva repele os prótons dos outros hidrogênios. Desse modo, inicialmente os prótons conseguem ficar separados, numa luta vitoriosa da sua energia eletromagnética contra a energia gravitacional.
Entretanto, quando, por ação da gravidade, a temperatura supera dez milhões de graus absolutos (graus Kelvin), a energia cinética dos prótons passa a sobrepujar sua repulsão eletrostática, tendo como consequência que os prótons começam a se chocar uns com os outros. No choque, os núcleos de hidrogênio fundem-se em hélio, liberando uma enorme quantidade de energia, pois o próton do hidrogênio pesa mais que o próton do hélio, havendo uma sobra de massa (cerca de 0,7% do hidrogênio fundido), que se converte em energia nos termos da fórmula de Einstein (e = mc2). Essa energia preserva a estrela, pois contrabalança a atração gravitacional, que tende a puxar a estrela da sua periferia para o centro, e dela se originam o calor e a luz emitidos pela estrela.

- Uma estrela é uma cozinha nuclear, que queima hidrogênio para sobreviver, resultando dessa queima uma cinza nuclear na forma de hélio refugado.

Com o decorrer de bilhões de anos, os átomos de hidrogênio vão sendo consumidos, sempre acumulando mais hélio, até que a fusão de hidrogênio cessa e a a cozinha nuclear para de funcionar. Não há mais a sobra de massa resultante da fusão nuclear, nem, portanto, energia para contrabalançar a gravidade, e esta tende a esmagar a estrela.

Gigante vermelha


Gigante vermelha

Mas a temperatura da estrela assim comprimida se eleva a tal ponto que a estrela adquire a capacidade de queimar o próprio hélio, convertendo-o em outros elementos, como carbono e lítio. A estrela diminui muito o seu tamanho, mas sua temperatura torna-se muito mais elevada e sua atmosfera se expande de forma extraordinária. Nesse ponto a estrela deixa de ser uma estrela amarela normal e passa a ser uma "gigante vermelha". É o que acontecerá com o Sol, daqui a cinco bilhões de anos, quando nesse processo sua atmosfera ultrapassará a órbita de Marte.

- Gigante vermelha é uma estrela queimando hélio.

Anã branca

Anã branca

Quando o hélio é todo queimado, a cozinha nuclear novamente para de funcionar, a gravidade volta a predominar, obrigando a gigante vermelha a encolher-se numa "anã branca", que pode ter um tamanho menor que um décimo de milésimo de seu tamanho original, embora preserve praticamente toda a massa original da estrela. Uma anã branca é o núcleo que resta da estrela depois que ela ejeta as suas camadas exteriores. Se a estrela original for pequena, sua anã branca será um pequeno astro moribundo cuja gravidade não segura os gases da periferia, que se espalham.

- Anã branca é o produto final de uma estrela que não tem massa suficiente para transformar-se numa supernova.

Supernova

Supernova: uma estrela explodindo

Há, porém, o caso de estrelas muito pesadas (um número de vezes mais pesadas que o Sol), que podem continuar fundindo elementos que resultaram da fusão do hélio, numa luta desesperada contra a gravidade, resultando no processo elementos cada vez mais pesados, até chegar à produção de ferro. Quando se alcança esse estágio, em poucas horas o núcleo é transformado em ferro, a energia da estrela é sugada, a pressão cai e as camadas externas começam a despencar em direção ao centro da estrela. Vão de encontro ao núcleo sólido de ferro, onde quicam e são ejetadas para o espaço sideral a altas velocidades, numa explosão que se chama de "supernova". A explosão pode expulsar para o espaço até 9/10 da matéria de uma estrela, num processo em que os elétrons colapsam com o núcleo, chocando-se com os prótons e originando nêutrons.

- A supernova é, pois, a explosão catastrófica de uma estrela que exauriu seu combustível nuclear.

Estrela de nêutrons (Pulsar)


Pulsar

Durante algum tempo, a supernova se apresentará com um brilho superior ao de uma galáxia de cem bilhões de estrelas. Com a energia da explosão da supernova, e no calor e pressão da mesma, são produzidos todos os elementos mais pesados que o ferro, que são lançados no espaço juntos com os escombros da explosão.

Os gases liberados no espaço dão origem a uma nova nebulosa (na qual poderão surgir novas estrelas).
Ao fim e ao cabo, a supernova se transforma numa estrela de nêutrons, totalmente morta, girando e emitindo radiação, como se fosse um farol dentro do Universo, por isso às vezes chamada de "estrela que pisca" ou "pulsar"(nome que se originou da expressão "pulsating radio sources").

-Uma estrela de nêutrons, que resulta portanto do colapso de uma estrela que passou pelo estágio de supernova, tem uma área equivalente à da cidade de Campinas, mas com uma densidade tão grande que uma colher de chá de sua matéria pode pesar um bilhão de toneladas.

sábado, 12 de junho de 2010

Duas poesias de Dante Milano

Paragem



Com os meus bois,
Os meus bois que mugem e comem o chão,
Os meus bois parados,
De olhos parados,

Chorando,

Olhando...

O boi da minha solidão,

O boi da minha tristeza,

O boi do meu cansaço,
O boi da minha humilhação.

E esta calma, esta canga, esta obediência.


Dante Milano

O amor de agora é o mesmo amor de outrora

O amor de agora é o mesmo amor de outrora

Em que concentro o espírito abstraído,
Um sentimento que não tem sentido,
Uma parte de mim que se evapora.


Amor que me alimenta e me devora,
E este pressentimento indefinido

Que me causa a impressão de andar perdido

Em busca de outrem pela vida afora.

Assim percorro uma existência incerta
Como quem sonha, noutro mundo acorda,

E em sua treva um ser de luz desperta.


E sinto, como o céu visto do inferno,
Na vida que contenho mas transborda,

Qualquer coisa de agora mas de eterno.

Dante Milano (1899-1991), em "Poesias"

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A MULHER NA MINHA CAMA

ADORÁVEL PASCALE

Estevinho estava sozinho, no lugar mais discreto do bar. A partir da palavra “SALMO”, queria chegar à palavra “LINHA”, transitando por palavras intermediárias, cada uma diferindo da anterior por uma letra, e somente uma. Verbos, melhor não... Pensou depois nas questões indecidíveis, que não admitem solução. Jamais me associaria a um clube que tivesse a insensatez de me aceitar como sócio, e o cretense Epimênides afirmou que todos os cretenses são mentirosos. Está na Bíblia...


- Garçom, mais um black and white. Oito anos, por favor.

Sentiu a mão no ombro. Era a moça de preto.

- Posso sentar?


- Por favor.


- Peço que não estranhe a ousadia. Estava a observá-lo e senti uma vontade irresistível de conversar com você.


- Não seja por isso. Muito prazer em conhecê-la.


- Não sei, não, mas você me parece muito angustiado.


- Estou pensando no paradoxo do mentiroso e curtindo um pouco a solidão.

- Solidão cheia de manias: “garçom, mais um black and white. Oito anos.” Nunca vi black and white que não fosse oito anos...


- Nem eu. Mas não gosto de correr nenhum risco...


- Muito engraçado!


Pascale. Olhou-a atentamente. Era olhos e boca, como uma mulher de Manuel Bandeira. Quem sabe francesa? Há francesas que abordam homens nos bares, falam Português e tomam banho. Aos 34 anos, Estevinho vivera todas as situações: casara-se, desquitara-se, casara-se novamente, divorciara-se, juntara-se algumas vezes. Mulheres que partiam, mulheres que chegavam. Algumas, de férias, por prazo definido, ou, como dizia, mulheres dia três, que vão embora no dia quatro, para Porto Alegre, Munique, Florença, Houston ou Além Paraíba. Para retornar ao trabalho ou correr aos braços de um noivo saudoso e impaciente.

- Aceita um uísque, Pascale?


- Só se for oito anos...

Na minha cama

Um homem e uma mulher que tomam uísque juntos, no Leblon, são cúmplices de um ideal inexorável: a cama. Quanta obra-prima existe, livros, filmes, peças e canções, sobre mesas, pianos, luvas, colares, retratos e outros variados objetos, usados como metáfora do amor ou, até, de sua ausência. Há um texto de Rubem Braga exaltando o guarda-chuva. Sobre cama, todavia, tudo que Estevinho conhecia era a história do homem traído, que, ao separar-se da mulher, doou-lhe tudo, absolutamente tudo, menos a cama. Pois se a cama se fosse com ela, além da mulher, teria perdido a própria alma.


Pois é, minha pátria é minha cama, pensou Estevinho, quando viu Pascale, deitada a seu lado. Nua assim, deitada assim, magnífica assim. Simplesmente deslumbrante! Uma mulher bonita começa pelos olhos, continua nos lábios, alteia-se em montes soberbos, estende-se por vales insondáveis e acaba... não acaba não, isso mesmo, uma mulher bonita não acaba nunca. A mulher é a perfeição. Se Aristóteles não disse isso, eis uma imperdoável omissão de Aristóteles.
Volúpia, entrega, prazer, apoteoses à primeira potência, apoteoses ao quadrado, apoteoses ao infinito, eis o enredo do amor, que é a melhor das capacidades humanas.

- Um instante de amor, Pascale, corresponde a uma boa eternidade.

sábado, 22 de maio de 2010

De tudo fica um pouco

MINHA QUERIDA LAURA

Dessa vez, com Laura, foi uma despedida consentida, embora emocionada. As partes entendiam que se separavam para cumprir seus destinos. Para além dos nossos momentos inesquecíveis, ficaram-me dela um resumo da teoria da relatividade e um arrazoado que produziu sobre Shakespeare.

- Confortou-me a ideia de que daquela data em diante pesquisaria sobre tudo isso na própria Inglaterra, sem ter de consumir boa parte do salário na importação de livros a câmbio desfavorecido.

Aliás, todos os desenlaces deveriam ser serenos e gentis, assim, pois as partes ficam com saudades recíprocas e nenhum ódio no coração. Resumindo tudo numa única e dolorosa palavra, eu estava só, mais uma vez. Com a Cecília, vencera-nos o tédio; com a May, nem sei direito, tudo ruiu no âmbito de uma confusão para lá de inexplicável; com a Laura, separou-nos o voo do pássaro, na busca do seu destino.

- L’oiseau vole, como no conto do Maupassant.


Drummond nos ensinou que de tudo fica um pouco, e, de um homem e uma mulher, esse pouco que fica é doce resíduo...

Prêmio Nobel

Uma semana após sua partida, escreveu-me, dando conta de que estava se sentindo muito bem no Departamento de Física do Kings College, que tem reputação internacional e recebe profissionais de todas as partes do mundo. Seu trabalho implicaria inicialmente a participação numa pesquisa sobre resistência de materiais, que interessava à cadeira de Mecânica Vibratória, da qual inicialmente seria assistente e, depois, professora adjunta.

Watson e Crick

A carta terminava mencionando quatro professores do Kings College laureados, no século XX, com o Prêmio Nobel de Física, a saber, Charles G.. Barkla, em 1917, pelos seus trabalhos sobre raios-X; Owen Richardson, em 1928, pelo seu trabalho sobre emissão termiônica; Edward Appleton, em 1947, pelo seus estudos sobre a atmosfera; e Maurice Wilkins, em 1962, que dividiu o prêmio com James Watson e Francis Crick, pela determinação da estrutura do DNA.
Das próximas vezes, acrescentou, poderíamos nos comunicar por email, quando tivesse se organizado minimamente e dispusesse de um computador.

- Minha querida Laura...

Respondi imediatamente, garantindo-lhe que ficaria torcendo para que fosse para ela o quinto Prêmio Nobel do King’s College, o que, sobre aumentar o prestígio da Universidade de Londres, haveria de deixar mais alegre e mais aquecido este meu peito solitário.