quinta-feira, 4 de maio de 2017

O MUNDO É UMA MESA


         COSMAS INDICOPLEUSTES


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            Cosmas Indicopleustes viveu no século VI. Era um mercador de Alexandria que fez inúmeras viagens à India, no decurso das quais acabou se tornando monge. Naquela época os religiosos tinham dificuldade para aceitar a esfericidade da Terra, sobretudo pela afirmação de Aristóteles de que havia outro continente na parte sul do nosso planeta, habitado pelos antípodas, contrapondo-se ao mundo que então se conhecia. Não podiam admitir que houvesse outra civilização, de homens não mencionados na Bíblia e não alcançados pelo Dilúvio. Por isso, mesmo os que acreditavam na esfericidade da Terra, representavam-na como uma semiesfera, com apenas o Hemisfério Norte e seus três continentes.
Cosmas Indicopleustes (literalmente, “Aquele que esteve na Índia”) retratou esse entendimento no seu livro Topografia Cristã, escrito por volta de 550, que, além de conter informações sobre história, geografia, filosofia e religião, com veemência proclama que o céu tem a forma de uma caixa de tampa curva. Para ele, a Terra era plana, como a superfície de uma mesa, o que dizia provar com argumentos baseados nos postulados bíblicos:

            - Existem falsos cristãos que ousam sustentar que a Terra é esférica. Uma heresia herdada dos gregos, que refuto com passagens bíblicas e citações inequívocas dos textos sagrados.  

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Mapa do mundo, segundo Indicopleustes


Um desses argumentos era o Salmo 104: 5:  

“Senhor, assentastes a Terra sobre suas bases, irremovível para sempre.”

Um regresso à concepção do mundo dos babilônios e egípcios, um recuo de dois mil anos, para aquém das concepções de Platão, Aristóteles e Ptolomeu.

Saiba mais

  Era a exacerbação da visão anticientífica que se fortaleceu a partir do século II, com a ascendência da religião sobre o Império Romano, e atingiu seu ponto máximo em 391, quando o imperador Teodósio deu ao Cristianismo o status de religião do Estado. Num movimento inverso ao que se iniciara com os pré-socráticos, que separaram ciência de religião, agora os monges da igreja, que viviam reclusos em mosteiros, rezando e copiando livros, tornavam-se responsáveis pela proteção espiritual da sociedade. Eles passaram a dizer o que era certo e o que era errado em termos científicos, estabelecendo os parâmetros e os textos bíblicos e dogmas que deveriam ser usados na interpretação e validação do que se podia aceitar. Pensamento e razão davam lugar à fé religiosa e à fidelidade aos textos cristãos. São Basílio, um dos mais influentes teólogos religiosos do século IV, condenou os que “comparavam a simplicidade e ingenuidade de nossos discursos espirituais com a curiosidade dos filósofos a respeito do Céu. Assim como a beleza da mulher casta supera a da cortesã, assim também nossos discursos prevalecem sobre os desses estranhos à Igreja.”

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