quinta-feira, 30 de março de 2017

UM CRIME DE LESA-HUMANIDADE



HIPÁCIA

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            A bela Hipácia (370-415) de Alexandria era filósofa, matemática e astrônoma, além de maior oradora de seu tempo. A ela atribui-se a invenção do astrolábio e do planisfério, que são instrumentos usados na astronomia, e do hidrômetro, usado na física para medir a vazão dos líquidos. Matemáticos de todo o mundo procuravam-na para encontrar a solução de problemas que não conseguiam resolver. Obcecada pela matemática e pelo processo de demonstração lógica, exercia grande influência nos meios filosóficos alexandrinos, tentando unir o pensamento matemático ao neoplatonismo de Plotino.

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Pensar errado é melhor do que não pensar, afirmava Hipácia para seus a
lunos.
              
Numa época em que se procedia à marginalização das mulheres nas funções do poder, uma pagã assumia o símbolo da sabedoria e concorria com as autoridades religiosas da sua cidade. Sua devoção à ciência foi, com efeito, o motivo de sua trágica morte, pois Cirilo, o patriarca de Alexandria, pôs-se a perseguir os seguidores de Platão, aos quais chamava de “hereges”, e colocou Hipácia no topo da lista das pessoas indesejadas.

- Como admitir uma mulher pregando que o Universo era regido por leis matemáticas?

Insuflados pelo patriarca, um bando de fanáticos tresloucados investiu contra ela, no ano de 415, num dos episódios mais lamentáveis da história da humanidade, que foi assim descrito pelo historiador inglês Edward Gibbon: 


            " Num dia fatal, na estação sagrada de Cuaresma, Hipácia foi arrancada de sua carruagem, despida e arrastada nua para a igreja, onde foi trucidada pelas mãos desumanas de Pedro, o Leitor, e sua tropa de fanáticos selvagens e impiedosos. A carne foi esfolada de seus ossos com ostras afiadas e seus membros, ainda palpitantes, foram atirados às chamas".

            Acredita-se que a obra de Hipácia tenha incluído importantes estudos sobre a Aritmética, de Diofante, as Cônicas, de Apolônio, e o Almagesto, de Ptolomeu. Nada, porém, chegou até nós, talvez como consequência da destruição da Biblioteca de Alexandria, no ano 642, pelos árabes do General Amr Ibn Al As, que conquistaram o Egito sob o comando do Califa Omar. (Ver mais informações sobre a Biblioteca de Alexandria no Apêndice Seis).