quarta-feira, 13 de abril de 2016

O ESCRITOR QUE SABIA SOBRE TUDO

 400 ANOS DA MORTE DE SHAKESPEARE  (23/4/1616) 

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(1)   Shakespeare, ou quem  se escondeu sob esse nome, escreveu dois longos poemas clássicos (“Vênus e Adônis” e “Profanação de Lucrécia), 154 sonetos e 37 peças de teatro. Usou, nessa obra, cerca de 20 mil palavras diferentes, o que corresponde ao quíntuplo das palavras de conhecimento de um inglês contemporâneo com curso superior. Atribui-se a ele a introdução de cerca de 1.900 novas palavras no idioma inglês, criando-as a partir de raízes anglo-saxãs, como “empoison” (“envenenar”), “addiction” (“vício”) e “villain” (“vilão”). Ou importando-as de outros idiomas, como “traject” (“trajeto”), do italiano “traghetto”. O autor criou também centenas de expressões e sentenças hoje usadas no mundo inteiro, como “nem tudo que reluz é ouro”, “estamos no mesmo barco”, “para mim você está falando grego”, “o bom vinho não precisa de rótulo” e “o pensamento é livre”.

(2)   O autor foi algumas vezes chamado de “o escritor que sabia sobre tudo”. Para James Joyce, citando Alexandre Dumas, pai, “depois de Deus, quem mais criou foi William Shakespeare”. Três dezenas de temas profissionais eram inteiramente dominados por ele, entre os quais Direito, Medicina, Filosofia Clássica e Esotérica, Mitologia, Matemática, Astronomia, Navegação, Heráldica, Política, Diplomacia, Tipografia, Siderurgia, Cosmologia e Práticas Militares.

(3)   Na obra imortal, o autor de Shakespeare citou trechos de clássicos gregos e latinos naquela época ainda não traduzidos para o inglês, desenvolveu diálogos em perfeito francês, como na Cena IV do Terceiro Ato de “Henrique V”, e em perfeito italiano, como ao longo de toda a “Megera Domada”; fez 260 alusões a temas clássicos e mitológicos, 1.400 referências médicas, 172 alusões a mares e navios, cerca de 500 referências a músicas e termos musicais, 124 alusões  a leis e temas legais, 196 alusões a jogos e esportes, 192 alusões a armas e guerra. Tinha sob seu comando os nomes de quase 200 plantas, mais de 60 pássaros e de 85 outros animais.

(4)   Um livro sobre as fontes consultadas por Shakespeare, “Narrative and Dramatic Sources of  Shakespeare”, de Geoffrey Bullough, desdobra-se em oito volumes! Shakespeare usou frases de Virgílio, Ovídio, Plauto, Horácio, Sêneca, Platão, dominando os clássicos extensivamente. Juristas ingleses conceituados asseguram que o autor shakespeariano tinha “um profundo conhecimento técnico da lei”. Por outro lado, o  Jornal da Sociedade Médica do Distrito de Colúmbia, nos Estados Unidos, assevera que Shakespeare tinha conhecimentos de medicina suficientes para ser um médico profissional ao tempo de Elisabeth I. Basta dizer que descreveu a circulação do sangue em sua obra, antes de William Harvey publicar, em 1628, o seu “Anatomical Essay on Motion of the Heart and Bood in Animals (“Ensaio Anatômico sobre o Movimento do Coração e do Sangue nos Animais”), que identificava o coração como órgão responsável pelo bombeamento do sangue.

(5)   É importante salientar que Shakespeare não estudou em nenhuma universidade inglesa, nem viajou alguma vez para fora da Inglaterra.

(6)   A obra poética de Shakespeare é formada pelos poemas clássicos “Vênus e Adônis” e “Profanação de Lucrécia” e por um conjunto de 154 sonetos. “Vênus e Adônis” e “Profanação de Lucrécia” foram publicados respectivamente em 1593 e 1594, admitindo-se geralmente que Shakespeare dedicou-se à sua criação durante o fechamento dos teatros de Londres, em 1593, por causa de uma peste bubônica, que causou a morte de 10.675 pessoas, cerca de cinco por cento da população londrina, e cuidou pessoalmente das duas publicações, que se apresentaram escoimadas de erros e até mesmo com dedicatórias. “Vênus e Adônis” foi o primeiro trabalho que apareceu com o nome de William Shakespeare, em 1593, cinco anos antes de “Ricardo II”. “Vênus”, a deusa do amor, apaixona-se pelo jovem “Adônis” e pretende fazer dele o seu amante. “Adônis”, porém, não se interessa por ela, preocupado que está em caçar javalis. “Vênus” insiste na sedução, ao longo de mais de mil versos, mas “Adônis” resiste a seus apelos, tanto física como intelectualmente. Ela o adverte dos perigos que existem na caça do animal e tenta retê-lo, mas “Adônis” consegue desvencilhar-se de seus braços. A deusa passa a noite em estado de aflição, pressentindo uma tragédia, o que, de manhã, parece concretizar-se, pois ouve os latidos dos cães e se convence de que o jovem fora vítima dos javalis. Acalma-se, depois, com pensar que tudo não passara de uma fantasia negativa do seu amor sobressaltado. Mas “Adônis” estava realmente morto. “Vênus” chora a morte do jovem, diante do seu cadáver, cujo sangue tinge as rosas e dá origem a uma nova flor, a anêmona. O poema encerra-se com “Vênus” retirando-se do mundo, para enclausurar-se na ilha de Pafos. Acredita-se que o argumento de “Vênus e Adônis” tenha sido tomado das “Metamorfoses”, de Ovídio, mas o autor de Shakespeare usou o tema para construir uma alegoria, em que “Vênus”, seis vezes chamada de “rainha”, era na verdade Elizabeth I, Rainha da Inglaterra, especulando-se de um modo geral que “Adônis” seria o próprio autor do poema. O grande êxito do poema deveu-se ao fato de que o público inglês da época percebeu a ligação de “Vênus” com a Rainha, a qual não se ofendeu e não proibiu suas sucessivas reedições, por se sentir lisonjeada com os elogios dos versos aos encantos físicos de “Vênus” e aos seus atributos de sedução.

(7)   O poema “Profanação de Lucrécia” (“The Rape of  Lucrece”) é de 1594 e também teve várias reedições, com grande êxito popular. Seu enredo foi igualmente retirado das “Metamorfoses”, de Ovídio: Sexto Tarquínio, filho de Tarquínio, o rei de Roma, raptou uma dama chamada Lucrécia, esposa de Collatinus, um dos interlocutores aristocráticos do rei. Sentindo-se desonrada, Lucrécia se matou, o que fez desencadear uma revolta popular que culminou com o banimento da família real e fundação da república romana. Shakespeare manteve, no poema, a essência da história clássica, com apenas a insinuação de que o desejo de Sexto Tarquínio por Lucrécia nascera pela insistência de Collatinus em enaltecer a castidade da mulher (um tema que reaparece, por exemplo, na peça “Cymbeline”, em que "Posthumus Leonatus” enaltece a castidade de sua mulher “Imogen”, despertando em “Iachmo” o desejo de conquistá-la). Descrita por Shakespeare como cheia de atributos físicos, como a justificar o desatino de Sexto Tarquínio, Lucrécia faz pelo suicídio a metamorfose de seu corpo em um símbolo de libertação política.

(8)  Os 154 sonetos de Shakespeare são motivo de perplexidade e especulação. Muitos expertos defendem que se trata de criação de cunho autobiográfico, que, entretanto, não se coaduna em nada com o que se sabe de William Shakespeare. Pois em sua maioria os versos parecem compostos por uma mulher ou, quem sabe, por um homossexual apaixonado por um jovem. Nos sonetos, o poeta se dirige separadamente a dois homens e a uma mulher de cabelos e olhos negros, todos não identificados, com três temas distintos:

             - nos 17 primeiros sonetos, algumas vezes chamados de sonetos da "Procriação", o autor implora a um homem muito bonito que se case e tenha um filho, que fosse herdeiro de sua beleza e de seu nome.
        - outros 25 sonetos são dirigidos, com grandes manifestações de ciúme e de repulsa, a uma mulher de olhos e cabelos negros, que nos meios literários se costuma chamar de "Dark Lady".
       - os sonetos restantes, a maioria, são mensagens apaixonadas dirigidas a um homem mais jovem que o autor, chamado nos meios literários  de “Fair Youth”( “Rapaz Amado”). Neles o poeta revela seu amor por esse jovem, o qual, segundo se depreende dos sonetos, estaria tendo um caso com a detestável "Dark Lady". 
        A paixão do poeta pelo jovem levou alguns autores a discutirem as preferências sexuais de William Shakspere, o que não deixa de ser bizarro, e outros, a admitirem que os sonetos tenham sido escritos por uma mulher, por exemplo, a Condessa de Pembroke (Mary Sidney Herbert). 

(9)    A importância maior de Shakespeare encontra-se no teatro. No século XVI, Londres tinha 200 mil habitantes. Havia poucas opções de lazer, quase sempre restritas a corridas de animais e brigas de galo, o que ajuda a explicar o grande impulso que teve o teatro a partir de Elizabeth I (1533-1603), que começou a reinar em 1558, na chamada Renascença Inglesa. Ao contrário das formas de lazer vinculadas aos esportes de nobreza, o teatro tinha caráter democrático e servia de nivelador social, dando acesso a príncipes e camponeses, letrados e analfabetos, ricos e pobres, homens e mulheres, com ingresso ao alcance de todos, embora com lugares e preços diferenciados. A cidade chegou a ter nove teatros, com uma capacidade total de dez mil lugares, que funcionavam quase todos os dias, com uma frequência em cada um acima de mil espectadores por dia. O Globe Theatre chegava a ter dois mil espectadores em dia de lotação esgotada - no ano de 1585 as companhias teatrais “Admiral’s Men” e “Lord Chamberlain’s Men” apresentaram-se agregadamente para 2.500 pessoas, diariamente. O teatro estava presente também na Universidade de Cambridge, onde os estudantes escreviam peças e apresentavam espetáculos. Isso sem contar que muitos nobres passaram a ter suas próprias companhias teatrais, que se exibiam dentro dos palácios ou nas cidades do interior, como forma de cortesia às nobrezas locais. Desse modo, os textos, tornados essenciais, eram disputados por sequiosas companhias teatrais. A cidade, com cerca de mil atores profissionais, dispunha de aproximadamente 250 dramaturgos, dos quais cerca de cinquenta viviam exclusivamente do que lhes rendiam suas peças. O êxito dos teatros ultrapassou o reinado de Elizabeth, encerrado em 1603, perdurando nos reinados de James I, falecido em 1625, e de Carlos I (1600-1649), seu filho e sucessor. Em 1642, quando teve lugar a Revolução Puritana, de Oliver Cromwell (1599-1658), foi ordenado o fechamento de todas as casas de espetáculos, pois os puritanos consideravam heréticas e pecaminosas as representações teatrais. Essa proibição perdurou até 1661, quando houve a restauração da monarquia e subida ao poder do rei Carlos II (1630-1685), que mandou reabrir os teatros. Cabe mencionar que o principal teatro shakespeariano, o Globe Theatre, funcionou mais cinco anos, até 1666, quando foi destruído por um incêndio, que devastou a cidade de Londres, e só foi reconstruído em 1996.

(10) No período em que surgiram as obras de Shakespeare, entre 1590 e 1615, foram escritas 1.500 peças teatrais (mais de uma por semana). Não raro surgiam autores muito prolíficos, como Thomas Heywood (1570-1641), que contribuiu com 200 peças, John Fletcher (1579-1625), com 69, Thomas Dekker (1572-1632), com 64, e o próprio Shakespeare, com 37 peças. Em apenas cinco anos, um autor de nome Henry Chette produziu 52 peças!


(11) A primeira peça publicada com o nome de William Shakespeare, “The Tragedy of King Richard The Second” (“A Tragédia do Rei Ricardo Segundo”), entrou para a história da Inglaterra porque foi usada em 1601 numa rebelião contra a rainha Elizabeth I, liderada pelo nobre Robert Devereux, o Conde de Essex (1565-1601). Conhecida como "Ricardo II", a peça, toda em versos, foi impressa anonimamente em 1597. Em 1598, foi republicada tendo na capa o nome “William Shake-speare”. Na versão integral, a peça mostra como foi a deposição e assassinato de Ricardo II, que, ao morrer, exclama melancolicamente:

               - Sobe, sobe, alma querida. Teu lugar é nas alturas, enquanto minha carne abjeta afunda diretamente para a morte.

 Durante o governo de Elizabeth I, a peça era exibida sem sua cena final, a da deposição do rei, por motivo de censura. Pois o governo entendia que o povo não deveria ser instruído sobre como insurgir-se contra seus reis, acrescendo-se a isso o fato de que Elizabeth I (1533-1603) e o fraco Ricardo II (1367-1400) tinham em comum a debilidade de se deixar envolver por favoritos. A cena também foi excluída de duas apresentações subsequentes à morte de Elizabeth, ocorrida em 1603, e só foi reincluída numa encenação de 1608, depois do que a peça foi republicada trazendo na página-título os seguintes dizeres: “A Tragédia do Rei Ricardo Segundo; com a adição da Cena do Parlamento e deposição do rei Ricardo. Como recentemente encenado no Globe Theatre pela Companhia King’s Majestics Servants.” Foi nesse contexto que Robert Devereux, o Conde de Essex, e seus correlegionários Charles e Joclyn Percy pagaram certa quantia para que o Globe Theater fizesse encenar “Ricardo II”, pela companhia teatral “Lord Chamberlain´s Men”, no dia 7 de fevereiro de 1601, com o propósito de criar em Londres um ambiente de insubordinação e efervescência popular. Nessa encenação, de maneira ousada foi introduzida a cena da deposição de Ricardo II, o que exigiu um esforço adicional dos atores, que para isso receberam o incentivo de uma remuneração extra. No dia seguinte, Essex marchou pela cidade à frente de 300 nobres, com a intenção de exigir da Rainha a substituição de Lord Burghley (William Cecil) e do filho deste, Robert Cecil, que eram seus conselheiros. A rebelião fracassou, e Essex e seus principais colaboradores foram julgados e condenados à morte.

(12) Outro ponto que tem sido levantado é o da citação de Giulio Romano (1492-1546), como escultor, em “The Winter’s Tale” ( "Conto do Inverno"). Na ficção de Shakespeare, Giulio Romano faz uma estátua da personagem “Hermíone” que é "tão semelhante a Hermíone que, segundo dizem, a gente fala com ela e fica esperando a resposta" (“Terceiro Cavalheiro”, Cena II do Quinto Ato). Acontece que esse artista romano, aluno de Raffaello Sanzio (1483-1520), era, na época de Shakespeare, conhecido como pintor e arquiteto, ignorando-se na Inglaterra, de um modo geral, que também fosse escultor. Até hoje muitos acreditam que Shakespeare o confundiu com outro artista, pois "Giulio Romano não era um escultor cujo renome merecesse uma citação elogiando a excelência do seu trabalho", conforme conclusão do trabalho acadêmico de José Eliézer Mikosz e Rafael Raffaelli, apresentado, em 2006, na Universidade Federal de Santa Catarina. Muitos, entretanto, consideram que Giulio Romano foi de fato um mestre da escultura, o que só era do conhecimento, no ano em que a peça "Conto de Inverno" foi produzida (1594?), de quem tivesse visitado Mântua, onde o autor de Shakespeare também deve ter visto o mural de Giulio Romano sobre a Guerra de Troia, no “Palazzo del Te”, tanto que o citou em "Profanação de Lucrécia" (versos 1420 a 1456).

(13) Em adição à dúvida sobre Giulio Romano, há, também, na "Megera Domada" (Cena II do Prólogo, na brincadeira com o funileiro “Sly”), menção à pintura "Io e Jupiter", de Correggio, cujo original encontra-se hoje em Viena. Na peça, um lorde não identificado diz a “Sly” que iria lhe mostrar uma “pintura”:
                - Nós lhe mostraremos Io como era quando donzela e também como foi apanhada e seduzida, numa pintura construída com a paixão do próprio ato,
O autor da peça pode ter visto esse quadro de Correggio em Milão, onde se achava na época de Shakespeare, ou dele ter conhecimento, na própria Inglaterra, por uma cópia pintada no interior do Castelo Belvoir, do Conde de Rutland (Roger Manners), na cidade de Leicester.
(14) Outra curiosidade é a presença de "Honorificabilitudinitatibus", a mais longa palavra da língua inglesa com alternância de vogais e consoantes, na peça “Love’s Labour’s Lost” (“Trabalhos de Amor Perdidos”). A mesma corresponde ao ablativo plural de "honorificabilitudinitas", palavra do Latim medieval equivalente a algo como "aptidão para auferir honra". O vocábulo tinha sido usado antes de Shakespeare por Dante Alighieri, que, ao fazê-lo, em seu livro “De Vulgari Eloquencia”, apenas aludiu ao fato de ser um exemplo típico de palavra anormalmente longa. Nunca tinha sido usada na língua inglesa, aparecendo na citada peça de Shakespeare, publicada em 1598, numa fala estranha e inconsequente do palhaço “Costard”:
                - I marvel thy master hath not eaten thee for a word; for thou art not so long by the head as honorificabilitudinitatibus: thou art easier swallowed than a flap-dragon.
                (- Admira-me que teu professor não te tenha engolido por uma palavra; porque tua arte não é tão comprida, dos pés à cabeça, como "honorificabilitudinitatibus": tua arte é mais fácil de engolir do que brincadeira de criança.)
            Muito se discute sobre a presença dessa palavra no texto, sobretudo por parte dos Baconianos, que defendem ser Francis Bacon o verdadeiro autor da obra que se atribui a Shakespeare. Para eles, não é  razoável admitir que estivesse gratuitamente no texto, senão para encerrar alguma mensagem relevante. Uma busca exaustiva, empreendida por eles,  levou-os à conclusão de que a palavra seria um anagrama da seguinte expressão latina: "HI LUDI F. BACONIS NATI TUTI ORBIS", cuja tradução corresponderia ao seguinte recado de Bacon:  ESTAS PEÇAS, PRODUTO DE F. BACON, ESTÃO PRESERVADAS PARA O MUNDO".
(15) Há também muito bom humor na história das peças. Como a versão de que Shakespeare recebeu, em 1598,  a incumbência de escrever uma peça com o título  de “Much Ado About Nothing” (“Muito Barulho Por Nada”).
- Como assim?
- Uma comédia romântica com esse nome seria uma grande atração em Londres.
- Por quê?
- Porque "nothing" é, no jargão do anedotário londrino, a parte mais íntima das mulheres, responderam a Shakespeare. Todo mundo se ligaria na conotação brincalhona da palavra, com garantia de teatro sempre lotado.
Surgiu assim uma das mais interessantes comédias de Shakespeare, não importa a motivação do nome da peça. Si non è vero, è bene trovato...

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