domingo, 14 de fevereiro de 2016

SOU MAIS AMIGO DA VERDADE



            ARISTÓTELES
             

Aristóteles (384 a.C.- 322 a.C.) nasceu em Estagira, cidade da Calcídica, uma península grega então sob o domínio dos macedônios. Ainda jovem, manifestou interesse pela ciência e, com dezessete anos, ingressou na Academia de Platão, onde mulheres só eram admitidas se vestidas como homens, e nela permaneceu por vinte anos. 



Regressou à Macedônia em 342 a.C., tornando-se o preceptor de Alexandre, o Grande, só voltando para Atenas quando este subiu ao trono macedônio. Fundou em 334 a.C. sua própria escola, o Liceu, um centro de estudos onde ministrou aulas para alunos (lições esotéricas) e conferências para o público em geral (lições exotéricas), num período de dez anos, atraindo multidões de alunos de todas as partes da Grécia. Suas aulas eram dadas ao longo de longas caminhadas ao ar livre, chamadas de “aulas peripatéticas”.
Tinha interesse por tudo, a julgar pela sua extraordinária coleção de livros, ele que é apontado como a segunda pessoa na História a ter uma biblioteca (a primeira teria sido a de Eurípedes, autor de Electra e de Medeia), a mesma que no futuro seria incorporada à Biblioteca de Alexandria. Ao que considerava certo, acrescentava seus próprios juízos e observações, produzindo livros que se perderam após a queda do Império Romano, no século V.
         Aristóteles passou a ser hostilizado pelos atenienses, quando Alexandre conquistou Atenas em 333 a.C. Pois era macedônio e ex-mestre do conquistador. Tudo se agravou em 323 a.C., com a morte de Alexandre, o que implicava para ele uma possível condenação à morte.

- Não darei aos atenienses a oportunidade de cometer um segundo crime contra a filosofia, disse, numa referência ao caso de Sócrates, antes de fugir para a ilha de Cálcis, onde morreu logo depois.

A intimidade de vinte anos que teve com Platão, a contar da adolescência, suscita muitas especulações, pois os dois filósofos trilhavam caminhos divergentes.  Platão era idealista, fazia matemática pela matemática e só acreditava na razão; Aristóteles gostava de observar o mundo e usava a matemática como uma ferramenta, que o auxiliava no entendimento e interpretação dos fenômenos observados.

            - Platão é meu amigo, disse ele certa vez, mas sou mais amigo da verdade. 

             - Aristóteles é como o potro que dá coices na própria mãe depois de lhe ter bebido o leite, teria retrucado Platão.



           Outras informações

Os trabalhos de Aristóteles pautaram o rumo da ciência, desde seu tempo até meados da era moderna. Para além de estudos sobre lógica (por ele criada), ética, moral, retórica, metafísica, política e linguística, Aristóteles deixou muitos trabalhos em ciência (incluindo-se física, meteorologia e biologia), retomando o estudo da natureza e o curso do desenvolvimento científico que se iniciara com os pré-socráticos. Aristóteles rejeitou a descrição da matéria por meio de átomos, feita por Leucipo e Demócrito, e tanto quanto Platão assumiu os quatro elementos primordiais de Empédocles: terra, água, ar e fogo.
Cada um destes elementos procura o seu lugar natural no Universo, o que explica todo movimento existente no mundo:

- corpos feitos de terra caem na Terra;
            - as bolhas ascendem da Terra;
            - a chuva cai do Céu, deslocando-se, através dos córregos, para os rios e finalmente para o mar;
             - o fogo se ergue para o ar.

Seu trabalho cosmológico, "Sobre os Céus", de 350 a. C., foi aceito por mais de 18 séculos, até o advento dos trabalhos de Copérnico, no século XVI. A Terra, "imperfeita", estava situada no centro do Universo, imóvel, circundada por onze esferas concêntricas. As três primeiras esferas contêm água, ar e fogo.  As outras oito esferas "seguram" os corpos celestes conhecidos na época: as estrelas, a Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno, formados de um "quinto elemento", uma substância perfeitamente transparente, inalterável, a que chamou de "quintessência" ou "éter".  Cada uma dessas esferas concêntricas é movimentada por um deus; as estrelas são fixas, não se movem.
Esse Universo sempre existiu e existirá, permanecendo inalterado, por toda a eternidade. Depois da esfera das estrelas, vinha a parte imaterial do Universo, configurando o domínio espiritual. A física concerne apenas ao mundo sublunar, espaço onde os elementos se movem e são susceptíveis de se corromper, isto é, de sofrer modificações.

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