quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Surge a ideia do átomo



              DEMÓCRITO DE ABDERA

            Demócrito de Abdera (460 a.C. - 360 a.C.) teve grande influência sobre Epicuro, Lucrécio, Giordano Bruno, Galileu e Espinosa, sendo muitas vezes referido como o “pai da ciência moderna”.  Conhecia astronomia, geografia, meteorologia, história, linguística e música e escreveu sobre geometria, tangentes e números irracionais. Foi o primeiro a demonstrar que o volume de um cone corresponde a um terço do volume do cilindro de igual base e altura e a estudar a utilização dos cálculos infinitesimais na determinação de volumes.
            Demócrito descartou a concepção de que tudo que existe na natureza (physis) desenvolveu-se a partir de um elemento primordial, tanto quanto a teoria dos quatro elementos, de Empédocles. Para ele, a realidade era feita pela combinação do vácuo (ou não-ser) e os átomos, partículas invisíveis e indivisíveis, diferentes quanto à forma, ordem e posição. Embora os corpos corrompam-se, decaiam e pereçam, são eternos os átomos que os constituem. Muitos atribuem a concepção do átomo a Leucipo, seu mestre, mas é certo que Demócrito foi responsável pelo detalhamento da teoria e por sua divulgação. Suas ideias apontavam o caminho verdadeiro, mas não prosperaram naquela ocasião nem nos séculos seguintes, graças à opção pelos quatro elementos de Empédocles, que seria feita por Aristóteles. 

 
“Demócrito”, de Hendrik ter Brugghen

Demócrito, que era muito rico, fez várias viagens de estudos, visitando a Grécia, Ásia e Egito, e num de seus livros escreveu "fui a Atenas e ninguém tomou conhecimento de mim”, decepcionado por não receber a mesma acolhida e reconhecimento dispensado a Protágoras, do movimento sofista, também de Abdera. Demócrito ria e gargalhava de tudo e dizia que o riso faz o sábio, o que o levou a ficar conhecido como "o filósofo que ri" ou "o filósofo hilário”. Um mote para pintores célebres, como o suíço Giuseppe Petrini, que pintou o “Demócrito risonho”, o alemão Henrique ter Brugghen, com o seu “Demócrito”, e o holandês Rembrandt, que fez um divertido autorretrato intitulado “Jovem Rembrandt como Demócrito, o filósofo que ri”.

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