quinta-feira, 8 de outubro de 2015

EMPÉDOCLES DE AGRIGENTO



EMPÉDOCLES DE AGRIGENTO

 

            Empédocles de Agrigento (490 a. C-435 a. C.) foi autor de uma alentada obra de cinco mil versos, poetando sobre concepções abundantes, entre as quais uma bizarra teoria da evolução. Para ele, os animais experimentaram diversas configurações, testando-se com rabo, chifres, asas e escamas, à maneira de quem prova camisas ou sapatos, até adquirir seu estágio atual. Assumida uma configuração, a criatura sobrevivia e reproduzia-se, se bem adaptada, desaparecendo em caso contrário.

Na discussão sobre o elemento primordial, defendeu que o mundo seria composto, não de um único elemento primordial, mas de quatro, a saber, terra, água, fogo e ar, conforme resume nos seus versos:



Tudo retornará à origem:

                Nossos corpos, à terra,

                Nosso sangue, à água,

                O calor, ao fogo,

                E nossa respiração, ao ar.





            Os quatro elementos são eternos e imutáveis, mas as substâncias formadas por eles são cambiáveis e pouco duradouras. Dois são os motivos que unem e desunem os quatro elementos: o amor e o ódio. Disse ele em versos:



Algumas vezes, do múltiplo configura-se um único ser; em outras, ao contrário, divide-se o uno na multiplicidade...



Empédocles defendia a transmigração das almas e apresentava-se como curandeiro capaz de ressuscitar os mortos, como mago capaz de influenciar os ventos e de provocar chuva, e até mesmo como uma divindade. Deriva daí a significativa quantidade de histórias fantásticas e anedotas que circularam a seu respeito durante toda a Antiguidade. Uma delas relata que, pretendendo demonstrar sua divindade, Empédocles atirou-se na cratera do Etna e foi tragado por suas lavas.


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