terça-feira, 21 de outubro de 2014

 MERCEDES VERMELHA

   
Numa fria madrugada de julho, eu curtia minha solidão sentado num banco da pracinha de Muriaé. Ninguém, exceto eu. Uma Mercedes vermelha surgiu do lado da estação, deslizando suavemente, e parou quase junto de mim. Era uma bela moça, que dizia chamar-se Mariella Foscari e dirigia-se para Cataguases. Vivia uma emergência, pois saíra sem dinheiro e estava quase sem gasolina no carro.
- Não seja por isso, comentei, repassando-lhe cem reais e um cartão com meu endereço no Rio de Janeiro.
Um mês depois, recebi uma carta contendo cem reais. Nenhuma palavra, apenas “MF, Cataguases”, no verso do envelope. Perguntei sobre a moça ao Pradinho, um amigo do vôlei de praia, que é de Cataguases.
-Mariella? Morreu há quinze anos. Parou sua Mercedes na estrada, por falta de gasolina, foi violentada e assassinada brutalmente.
- Morreu há quinze anos?
- Quinze anos. Corre a lenda de que a moça, isto é , o seu fantasma, atravessa as madrugadas pedindo dinheiro emprestado para comprar gasolina. Bizarro, não?
- Muito...

Um comentário:

cirandeira disse...

Que pérola, a sua imaginação continua brilhando entre o mar e
os rochedos!!!

Um abraço