quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Soneto 84

O DINHEIRO DO ALUGUEL


 -Não fazer pior o que natureza fez tão claro...

Nostradamus, envolto em densa névoa, a mim se dirigiu com voz solene e cavernosa:

- Abra ao acaso os sonetos de William Shakespeare e lucre monetariamente.

Ótimo, pensei ao acordar, pois estava precisando de dinheiro. Por sorte, eu tinha o livro de Shakespeare na estante. Seguindo à risca a instrução de abri-lo ao acaso, após um pequeno ritual cheguei ao soneto 84. Um amigo ofereceu-se para fazer a tradução dos versos, aquela coisa de “não fazer pior aquilo que a natureza fez tão claro.”

- Não fazer pior aquilo que a natureza fez tão claro. Entendeu?

- Não entendi nada.

Durante dias consultei amigos e conhecidos, sem conseguir decifrar o enigma. Já pensava em desistir, quando na porta do apartamento encontrei um bilhete que dizia:

- Touro, 84 é touro!

Não me cabia fazer pior o que a natureza fez tão claro: joguei no touro e acertei, obtendo o dinheiro do aluguel.

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