terça-feira, 2 de setembro de 2014

MACHISMO

           Cansado e desiludido, deixei-me dormir pesadamente, com a esperança de não acordar nunca mais. No meio da noite, porém, percebi que havia uma mulher deitada a meu lado, linda e pura como uma manhã de primavera. Como descobriu minha cama é para mim um fino mistério. O que se seguiu é muito confuso. Lembrando-me de Luísa, a namorada que um dia me abandonou sem sequer dizer adeus, fiz o comentário de que o homem é a medida de todas as coisas, do mundo nada se leva e amar foi minha ruína. 

            - Amar foi sua ruína?

            - Ruína e humilhação...

            - Claro, está tudo muito claro.

            - Claro, como?

            - Machismo. 

            Calei-me, sem entender, e voltei a dormir. Quando acordei pela manhã, não havia ninguém a meu lado. Deve ter sido um sonho, ninguém precisa me advertir sobre essa possibilidade.  Eu também acho isso. Difícil, porém, é explicar o bilhete que encontrei ao lado da cama: 
 
            - É machismo não aceitar que a mulher faça suas escolhas. 

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