segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Paradoxo das Noites Escuras



Uma estrela em cada visada


Antes das idéias cosmológicas que desde a primeira metade do século XX estão a prevalecer com a concepção do Big Bang, admitia-se que o Universo era:

infinito em extensão,
estático (sem grandes movimentos, em larga escala),
homogêneo e isotrópico (com as mesmas propriedades em todos os pontos e direções),
imutável e euclidiano (espaço plano, não encurvado pela gravidade).

O alemão Heinrich Olbers (1758-1840) fez uma observação em 1826 que ficou conhecida como "Paradoxo de Olbers" ou "Paradoxo das Noites Escuras":


- Se o Universo tivesse de fato essas propriedades, não haveria noites escuras, pois as infinitas estrelas, distribuídas uniformemente, deveriam cobrir a Terra de luz. Pois todas as visadas acabariam numa estrela, ou seja, num ponto de luz.

Diz-se que essa questão fora anteriormente levantada por Johannes Kepler, em 1610, e um pouco mais tarde por Edmond Halley e Jean-Philippe de Cheseaux.

Edgar Allan Poe

Muitos tentaram explicar o paradoxo, alguns mediante demonstrações matemáticas. Para o escritor Edgar Allan Poe, a explicação era a idade finita do Universo infinito: por falta de tempo, ainda não chegou a nós a luz das estrelas mais distantes. 

A teoria do Big Bang tem uma explicação semelhante à de Edgar Allan Poe: o tempo é realmente finito, pois o Universo teve um começo, criado que foi há alguns bilhões de anos; de fato, a luz das estrelas situadas para além de determinada distância não teve tempo de nos alcançar, o que explica a quantidade limitada de luz no céu noturno. A diferença, em relação à hipótese de Poe, é que na teoria do Big Bang o Universo não é infinito, não é estático (pois está em permanente expansão), nem euclidiano (pois o espaço é curvado pela gravidade, conforme a teoria da relatividade) e está longe de ser imutável.

- Seja como for, não há lugar para o paradoxo de Olbers.
 

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