quinta-feira, 22 de maio de 2014

    BARÃO DE MAUÁ

Irineu Evangelista de Souza (1813-1889), o barão de Mauá, nasceu em Arroio Grande, no Rio Grande do Sul. Órfão de pai, veio para o Rio de Janeiro com a idade de nove anos, onde começou a trabalhar numa importadora da rua Direita, atual Primeiro de Março, como caixeiro e menino de recados

 

   Por seu talento, Irineu foi galgando posições dentro da firma, a ponto de se tornar o seu proprietário, e nessa condição construir um grande império comercial, financeiro e industrial, graças à sua extraordinária capacidade para antecipar oportunidades de lucro. 
 
  Percebendo a importância da Revolução Industrial, fundou o Estaleiro Mauá, no qual empregou mais de mil operários, que foi o responsável pela construção de 76 navios e pelos canhões que o Brasil usou na Guerra do Paraguai, para além de produzir caldeiras para máquinas a vapor, engenhos de açúcar, guindastes, prensas, armas e tubos para encanamentos de água. 
 
   Mauá criou companhias de navegação a vapor no Rio Grande do Sul e no Amazonas; em 1852 implantou a primeira ferrovia brasileira, entre Petrópolis e Rio de Janeiro, uma das primeiras ferrovias, no mundo, fora da Inglaterra. Executou também o trecho inicial da União e Indústria, entre Petrópolis e Juiz de Fora, a primeira rodovia pavimentada do Brasil.


  Lançou, a seguir, os cabos que dotaram o Brasil de telégrafo internacional e em 1854 implantou a iluminação pública a gás do Rio de Janeiro, cidade que também dotou de água e de gás canalizados.


Melhor do que a de Londres

- Melhor que a de Londres... 

    O contrato para iluminação a gás do Rio de Janeiro, cujos lampiões antes queimavam óleo de cachalote ou de mamona, foi celebrado em 11 de Março de 1851 e tinha como exigência que a iluminação fosse melhor do que a da cidade de Londres.

    No dia 25 de Março de 1854, os lampiões a gás iluminaram a Praça XV e as Ruas Primeiro de Março, Ouvidor, Rosário, Hospício, Alfândega, General Câmara e São Pedro.
Dois meses depois, todo o centro estava igualmente iluminado, com filas de lampiões que se estendiam até o Mangue.
 
    Mauá achava que o dinheiro devia ser investido na produção, e não na especulação. Tinha muitos inimigos, por ser contra a escravidão, que proporcionava grandes lucros aos que investiam no tráfico e no comércio de negros, sendo também hostilizado pelos que viviam às custas dos juros bancados pelo Império. Como o contrato dos lampiões a gás falava em “iluminação melhor do que a da cidade de Londres”, os adversários fizeram uma campanha para denigrir o projeto, sendo exemplo o bolodório qualitativo e provinciano do jornal “A Ilustração Brasileira”, de 3 de abril de 1854:

   “...ninguém haverá, que já tenha estado na capital da Inglaterra, que não conheça que nossos bicos de gás em vez de dar uma luz mais forte dão uma sensivelmente mais fraca.”
 


Falência

    Mauá foi vítima de perseguições, calotes e sabotagens, que incluíram o incêndio criminoso do estaleiro, de ações governamentais deletérias e de perseguição dos tribunais. Tudo isso levou-o à falência em 1875.

  Em sua “Exposição aos credores e ao público” (1878), Mauá atribuiu sua falência principalmente à hostilidade dos governantes uruguaios e brasileiros, que lhe teriam criado embaraços intransponíveis. Outra causa apontada foi a estranha decisão do Supremo Tribunal de Justiça, em 1877, que reconheceu o foro de Londres como o único competente para julgar sua ação contra a empresa inglesa S. Paulo Railway, por dívidas não honradas, contraídas no Brasil, para construção da estrada de ferro Santos-Jundiaí.
 
    A justiça inglesa, sem se fazer de rogada, considerou prescrita a dívida, favorecendo a S. Paulo Railway e levando Mauá à falência.

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