quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Mossoró versus Lampião


No dia 13 de junho de 1927, Lampião (1897 ou 1898 - 1938), que havia dias assediava a cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, enviou uma carta ao seu prefeito, Rodolfo Fernandes, exigindo quatrocentos contos de réis para não atacar a cidade. Tendo o prefeito recusado a proposta, igualmente por carta, Lampião e seu bando invadiram a cidade.

Carta de Lampião ao prefeito

“Coronel Rodolfo: Estando eu aqui, o que pretendo é dinheiro. Já foi um aviso para o senhor aí. Se por acaso resolver mandar-me a importância que nós pedimos, evito a entrada aí; não vindo essa importância, eu entrarei até aí. Penso que, a Deus querer, eu entro, e vai haver muito estrago. Por isso, se vier o dinheiro, eu não entro aí. Mas mande resposta logo. Virgulino Ferreira, Capitão Lampião.”

Resposta do Prefeito a Lampião

 
“Virgulino Lampião: Recebi o seu bilhete e respondo que não tenho a importância que pede; o comércio também não tem. O banco está fechado, pois os seus funcionários se retiraram daqui. Estamos dispostos a suportar tudo que o senhor quiser fazer contra nós. A cidade confia na defesa que organizou. Rodolfo Fernandes, prefeito.”

O ataque

Nesse 13 de junho deu-se o ataque de Lampião a Mossoró, de acordo com um plano idealizado pelo cangaceiro potiguar Massilon Leite Benevides, conhecedor da região. Ele não sabia, porém, da determinação do prefeito e dos cidadãos que se dispuseram a defender a cidade contra os marginais, que foram rechaçados e bateram em retirada, deixando para trás um companheiro morto e outro ferido.
Nunca mais Lampião se atreveu contra nenhuma cidade do Rio Grande do Norte, ele que, referindo-se à resistência de Mossoró, chegou a fazer o seguinte comentário: 


- Da torre da igreja, até o santo atirava na gente.

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